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Por Aline Gattoni
Depois de passar dez anos dentro da organização, Antonio Carlos Brolezzi
decidiu contar como foi viver no Opus Dei. Ele narrou as experiências
na congregração no livro Memórias Sexuais no Opus Dei, uma desnudada
versão do que ocorre por trás do mistério que envolve a facção religiosa.
Nascido em 1965 em Santo André (Grande São Paulo), Brolezzi foi garçom
de pizzaria, office-boy e professor de inglês. Em 1988, licenciou-se em
matemática pelo IME-USP (Instituto de Matemática e Estatística da Universidade
de São Paulo) e, em seguida, tornou-se mestre e doutor pela Faculdade
de Educação da mesma universidade, onde hoje leciona.
"Ninguém resolve entrar para o Opus Dei. Você vai se envolvendo e, quando
se dá conta, está mergulhado até o pescoço", explica Brolezzi, que hoje
é casado e pai de uma filha.
Torturas sexuais
Em seu livro, Brolezzi não poupou os leitores - ou ele próprio - e narrou
em detalhes as torturas sexuais de que teria sido vítima. "O Opus Dei
domina as mentes, além de controlar o corpo. Para tanto, manipula a sexualidade
das pessoas", afirma o professor. "É uma instituição com pretensos objetivos
espirituais, mas cujos métodos de manipulação são criados e mantidos em
função do domínio do sexo."
Ele confessa, por exemplo, que usou um "macacão antimasturbação":
uma calça jeans e uma camisa de flanela costuradas uma na outra e vestidas
de trás para a frente, com o objetivo de impedi-lo de alcançar suas partes
mais íntimas.
Além disso, não seria recomendado olhar para o sexo oposto. Segundo o
professor, as mulheres dormem em tábuas, não podem ingressar em universidades
e devem limpar os aposentos dos homens.
Quanto ao cilício (cinto de ferro cheio de pontas usado nas coxas para
autopenitência), presente no livro O Código Da Vinci, de Dan Brown,
e no filme homônimo, Brolezzi afirma ser um real instrumento de tortura.
"O enorme sucesso de O Código Da Vinci fez o Opus Dei sair de sua
toca", diz Brolezzi. "Afetado em sua imagem blindada, ele passou a ser
estudado como realmente é: uma seita que detesta ser chamada de seita."
Embora percebesse que havia algo errado com tudo o que vivia, o professor
era convencido a não conversar com os pais sobre as experiências vividas
no interior do Opus Dei. "Quando tínhamos pensamentos libidinosos, chicoteávamos
as nádegas. Mas levei dez anos para conseguir falar com alguém sobre isso."
Brolezzi, porém, venceu o medo, foi ameaçado por uma simpatizante da organização
após o lançamento do livro e não se arrepende. "O que relato aqui é apenas
a minha experiência particular, tal como ficou em minha memória e nas
cicatrizes do meu coração."
A instituição
O Opus Dei se autodenomina em seu site "uma instituição da Igreja Católica
(...) cuja missão consiste em difundir a mensagem de que o trabalho e
as circunstâncias do dia-a-dia são ocasião de encontro com Deus, de serviço
aos outros e de melhora da sociedade".
Marc Carroggio, responsável pela relação do Opus Dei com a imprensa, acredita
que o livro e o filme O Código Da Vinci "estão trazendo uma espécie
de publicidade indireta" para a organização. "Nestes últimos meses, só
nos Estados Unidos, mais de um milhão de pessoas colocaram-se em contato
com o nosso website (www.opusdei.org), em parte graças ao reboliço
causado pela obra."
"Já fizemos bastante limonada com o livro e esperamos aumentar a produção
com o filme, com a ajuda de Deus", diz Carroggio. "Tentaremos realizar
um esforço informativo, oferecendo plena abertura e disponibilidade: portas
abertas. Gostaríamos de dar, aos que desejarem, a oportunidade de conhecer
o Opus Dei em primeira mão. Algo que não quiseram fazer nem o autor e
nem o diretor do filme." Ele não descarta a possibilidade de que algum
braço da instituição pelo mundo acione a Justiça devido às críticas trazidas
em O Código Da Vinci.
Memórias Sexuais no Opus Dei
Autor: Antonio Carlos Brolezzi
Editora: Panda Books
Número de páginas: 192
Preço sugerido: R$ 29,90
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