O Código Da Vinci chega aos cinemas
O Código Da Vinci chega aos cinemas recheado de polêmicas

Adaptação do best-seller de
Dan Brown estreou no mundo
todo no dia 19 de maio


Por Guilherme Massa


Em meio a divergências com a Igreja Católica, o estrondoso sucesso
O Código Da Vinci finalmente chegou às telonas e promete ser um dos melhores filmes de 2006. A primeira exibição foi durante o conceituado Festival de Cinema de Cannes, na França, no dia 17 de maio. A estréia mundial aconteceu em 19 de maio.

Dirigido pelo experiente Ron Howard (vencedor do Oscar por Uma Mente Brilhante) e com um elenco de astros como Tom Hanks, Ian McKellen, Alfred Molina e Audrey Tautou (a eterna Amélie Poulain), o longa-metragem está no centro de uma das maiores polêmicas envolvendo o cinema.

No início de maio de 2006, o Vaticano declarou-se contrário ao lançamento do filme, sob a justificativa de que a obra não respeita as crenças cristãs e degenera a história de Jesus Cristo. Em suma, Dan Brown coloca em jogo a verdadeira história da Igreja Católica, de Jesus e da organização Opus Dei.

Por conta disso, o interesse nos assuntos que envolvem a Igreja virou uma febre. Desde o lançamento do livro, em 2003, surgiram várias outras obras sobre os mesmos temas, na carona de O Código da Vinci, que vendeu mais de 50 milhões de cópias.


O filme

A trama gira em torno do estudioso de símbolos Robert Langdon (Tom Hanks) e da criptógrafa da polícia de Paris, Sophie Neveu (Audrey Tautou), sobrinha do curador do museu do Louvre. Ambos descobrem que o maior tesouro de todos os tempos - o Santo Graal - corre perigo e ingressam em uma corrida contra o tempo para encontrar o artefato, antes que ele caia em mãos erradas.

Em meio às ações, aparecem outros temas envoltos em mistério: sociedades secretas, como o Priorado de Sião, a Maçonaria e os Cavaleiros Templários, uma vertente ultra-conservadora católica chamada Opus Dei e quadros famosos, como a Mona Lisa.

Na obra, Dan Brown defende que Jesus teria se casado com Maria Madalena (a prostituta que, na Bíblia, Cristo salvou do apedrejamento) e tido descendentes. Para fortalecer o enredo, o escritor aponta indícios da veracidade desta união em um evangelho apócrifo (não reconhecido pela Igreja) supostamente escrito pela própria Madalena, além de sinais na famosa pintura da Santa Ceia, de Leonardo Da Vinci.


Adaptação

Tom Hanks conta que a adaptação do filme foi uma tarefa complicada: "você precisa dar aos leitores aquilo que eles esperam, porque, francamente, o livro é realmente ótimo. Você pode modificá-lo, fazer algo diferente, mas é preciso também torná-lo melhor".

O maior desafio, segundo a equipe envolvida com a produção, foi tornar o enredo mais dinâmico, sem que as longas explicações dos personagens Robert Langdon e Sir Leigh Teabing ficassem cansativas - algo que funcionou muito bem na forma de livro.

Mas o astro deposita muita confiança na habilidade do roteirista Akiva Goldman em perceber o que ganha força na adaptação de um texto escrito para a linguagem cinematográfica.


Igreja Católica

Por ser recheado de pontos relacionados à Igreja, a obra O Código da Vinci está na mira do Vaticano. Além de se declarar contra o filme, a Igreja pede aos cristãos que se protejam de tais agressões às convicções religiosas (referindo-se aos diversos temas encaixados na história).

O cardeal nigeriano Francis Arinze é quem ficou responsável por organizar medidas judiciais para impedir a divulgação do longa-metragem. "Às vezes, é nossa tarefa fazer algo prático. Por isso não serei eu quem dirá aos cristãos o que fazer, mas conheço algumas ações legais que podem ser utilizadas para que uma pessoa respeite o direito das outras", declarou Arinze ao Zenit, órgão de imprensa do Vaticano.

Em março de 2005, o Vaticano pediu aos católicos que não comprassem e não lessem o livro, apesar de ter abandonado o uso do Index Librorum Prohibitorum (uma lista de livros proibidos para os fiéis) desde 1966.

Coube ao cardeal italiano Tarcisio Bertone que reunisse argumentos para desmontar as idéias apresentadas no livro. Segundo o cardeal, Dan Brown vende mentiras e está se aproveitando da ignorância das pessoas para forjar uma verdade. Membros da Igreja e da Opus Dei têm se mobilizado para estabelecer uma defesa contra as críticas surgidas após o lançamento do filme.

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