LONDRES - Os governos ocidentais exageraram o papel que a Internet exerce no recrutamento de militantes e as medidas de bloqueio de conteúdo extremista são "brutas, caras e contraproducentes", afirmou um relatório divulgado nesta terça-feira (10/03)Quaisquer tentativas de filtrar ou restringir o acesso a sites que preparam potenciais terroristas suicidas são pouco práticas e pouco efetivas, afirma o estudo do International Centre for the Study of Radicalisation and Political Violence (ICSR), em LondresDe fato, há pouco que os políticos possam fazer, afirma o relatório, produzido por um grupo que une governo, empresas e especialistas, com a missão de estudar a questão"A radicalização autônoma e o recrutamento autônomo via Internet, com pouco ou nenhum relacionamento para com o mundo externo, raramente acontecem, e não existe motivo para supor que essa situação venha a mudar no futuro próximo", afirma o estudo.
"De fato, a Internet é bastante ineficiente como forma de atrair novos recrutas"Por anos, governos e agentes de segurança alertaram que a Web vinha permitindo que extremistas, especialmente militantes islâmicos, recrutassem pessoas para sua causa e as radicalizassemO antigo secretário da Segurança Interna dos Estados Unidos, Michael Chertoff, certa vez declarou que recrutas não precisavam mais viajar a campos de treinamento da Al Qaeda no exterior, e a Comissão Européia sugeriu tentar o bloqueio de buscas online por material como instruções para a produção de bombasNa semana passada, um relatório informava que grupos no Sudeste Asiático estavam utilizando cada vez mais a Web como forma de radicalizar os jovensNo entanto, o novo estudo sugere que os temores quanto ao poder de radicalização da Internet parecem deslocados.