Após superar problemas, "aeiou" se diz pronta para estréia
Reuters
Por Taís Fuoco
SÃO PAULO (Reuters) - A "aeiou", marca adotada pela empresa
que será a quarta operadora de celular em São Paulo, admite ter
enfrentado alguns problemas técnicos no período de testes que
realizou com 10 mil chips na capital paulista, mas garante ter
superado todos eles para a estréia comercial, na próxima
segunda-feira.
O presidente-executivo José Roberto Melo da Silva, que é
também o idealizador da companhia, informou, em entrevista à
Reuters, que a antiga Unicel "enfrentou alguns 'bugs', mas
todos devem estar resolvidos até segunda-feira".
Segundo ele, "as coisas estão acontecendo dentro do
previsto", já que a operadora decidiu promover um mês de testes
com clientes justamente para solucionar os problemas, que foram
de ordem técnica.
Na quinta-feira, a Anatel deu sua anuência prévia à venda
de 49,01 por cento do capital da operadora para a HiTs Telecom,
grupo da Arábia Saudita que também controla operadoras no
continente africano e tem ações negociadas na Kuwait Stock
Exchange.
A história da companhia foi envolta em polêmicas e
mistérios até agora. Em 2006, ela foi a única interessada pelas
licenças de celular no Estado de São Paulo que a Anatel já
havia tentado vender três vezes sem sucesso, mas o pagamento
das garantias foi feito através de liminar na Justiça.
A documentação da companhia também fez com que o processo
de assinatura do contrato levasse quase seis meses para ser
feito na agência. Um erro na documentação chamava a Anatel de
Aneel, agência reguladora do setor elétrico, o que contribuiu
para a demora, segundo reportagens da época.
Tanto Melo da Silva quanto o investidor que ele apresentou
(o norte-americano Edward Jordan) eram desconhecidos de boa
parte da mídia que acompanha o setor de telecomunicações no
Brasil.
A própria operadora chegou a anunciar que teria escolhido a
Ericsson para montar sua rede, mas a dificuldade de obter
recursos fez com que o negócio não fosse adiante.
Na negociação com outro investidor --desta vez a HiTs-- a
antiga Unicel acertou também outro fornecedor para a rede, a
chinesa Huawei, com quem a HiTs tem contrato global. Edward
Jordan deixou o negócio.
Hoje, ainda resta uma disputa. Apesar de ter comprado
licenças para todo o Estado de São Paulo, um dos lotes é alvo
de um pedido de reconsideração por parte da TIM junto à Anatel.
Por isso, por enquanto a operação está restrita à região
metropolitana (código 011).
OPÇÃO DE COMPRA
A HiTs Telecom tem uma opção de assumir o controle total da
operadora em um período de três anos, segundo Melo da Silva.
Além disso, o grupo árabe "procura outras oportunidades de
investimento nos países sul-americanos", de acordo com o
executivo, já que até então a HiTs não tinha nenhum negócio na
região.
O grupo declarou ter investido 62 milhões de dólares para
comprar 49,01 por cento da Unicel.
A marca "aeiou" foi escolhida com o objetivo de associação
ao público jovem, mercado prioritário para a companhia neste
primeiro momento.
A chegada da portabilidade numérica, desde o dia 1o de
setembro, beneficia operadoras estreantes como a "aeiou", mas
Melo da Silva afirma que era algo "já previsto no nosso modelo
de negócios".
Além disso, a portabilidade só chega ao código 011 em março
de 2009, quando, além da "aeiou" também a Oi estará no Estado
de São Paulo, além de Vivo, TIM e Claro.