O dono do banco Opportunity, Daniel Dantas, preso pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira, tentou, por meio de intermediários, fazer com que um desafeto, Luiz Roberto Demarco, fosse incluído em alguma investigação, informou a PF em entrevista coletiva. Demarco foi seu sócio no Opportunity. Com sua saída houve briga pelos bens do grupo. Em 2006, a Corte de Londres deu a causa para Demarco, comprovando direito de 3,5% nos recursos do banco. Ele também ajudou a Procuradoria da República a juntar informações contra Dantas na venda da Brasil Telecom.
O grupo de Dantas já havia tentado subornar um delegado encarregado pela apuração dos crimes do banqueiro depois de uma reportagem do jornal "Folha de S. Paulo", de 26/4, antecipar que a PF estava investigando seus negócios.
Um dos intermediários ligados ao banqueiro, Hugo Chicaroni, também foi preso na operação Satiagraha. O outro ainda está solto, mas com mandado de prisão preventiva decretado. Eles ofereceram uma quantia de US$ 1 milhão para tirar o nome de Dantas, da sua irmã Verônica e do sócio do Opportunity Carlos Rodemburg do caso. Em um primeiro contato, chegaram a pagar R$ 50 mil para o delegado, que, com autorização judicial, aceitou a quantia para conseguir mais informações. Em um segundo encontro, deram R$ 79 mil. De acordo com o Procurador da República Rodrigo deGrandis esse dinheiro foi apreendido e está à disposição da Justiça.
A PF chegou a solicitar a prisão preventiva da jornalista autora da reportagem e um mandado de busca e apreensão em sua casa, negados pelo juiz. O objetivo era descobrir de onde vazaram os dados. Também não foram aceitas as solicitações de prisão preventiva do ex-deputado federal (PT-RJ)Luiz Eduardo Greenhalgh e do publicitário Guilherme Sodré, que teriam pesquisado informações sobre as investigações da PF.
Operação Satiagraha
A Polícia Federal (PF) prendeu o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o dono do banco Opportunity, Daniel Dantas, e o empresário Naji Nahas, acusados de fazer parte de um esquema de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro. Com 300 policiais, a operação Satiagraha foi deflagrada para cumprir 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão em Brasília, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
Em investigações, a PF descobriu duas organizações criminosas. A maior, comandada por Dantas, possuía empresas de fachada para desviar verbas públicas. A menor, liderada por Nahas e formada por empresários e doleiros, atuava no mercado financeiro para lavar o dinheiro obtido em negócios escusos.
Os integrantes do segundo grupo também são acusados de trabalhar no mercado paralelo de moedas estrangeiras. De acordo com a Polícia, há indícios do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve, o Banco Central americano.
Na apuração do caso, ainda foram identificadas pessoas e empresas beneficiadas no esquema montado pelo publicitário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. O chamado "mensalão" envolvia o suposto pagamento de dinheiro a deputados da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em troca de apoio no Congresso. As denúncias derrubaram figuras importantes do governo petista, como o então ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu.
Segundo a Polícia Federal, as investigações começaram há quatro anos, quando o Supremo Tribunal Federal enviou documentos à Procuradoria da República no Estado de São Paulo e um processo foi aberto na 2ª Vara Criminal Federal.
Os presos na operação podem ser indiciados pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Eles devem permanecer na carceragem da Superintendência Regional da PF em São Paulo à disposição da Justiça.