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02/04/2008 - 19:26 (atualizada em 04/09/2008 00:51)

Dengue no Brasil vira preocupação mundial

Epidemia no Rio de Janeiro evidencia o perigo da doença. Só no início desse ano, vírus já fez mais que o dobro de vítimas do ano passado inteiro

Da redação
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A doença já é bem conhecida, mas ainda assusta. Entra ano, sai ano, a ameaça de surtos volta a rondar o país. A preocupação é de ordem internacional. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), quase dois terços dos casos de dengue nas Américas em 2007 ocorreram no Brasil. O quadro contraria as tendências mundiais de controle da doença. Com prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti (transmissor da dengue e da febre amarela), a maioria dos países já conseguiu controlar o mal. Até 1980, a doença era relativamente rara na América Latina.

Em 2008, o inseto voltou. E o Rio de Janeiro foi o estado mais castigado: desde o início do ano, foram registrados mais de 40 mil casos, com 67 mortes. Dessas, 47 foram na capital fluminense. Esses números acompanham outra estatística fatal: o índice de mortalidade por dengue hemorrágica atingiu 20% no período. O patamar é 20 vezes maior do que o tolerado pela Organização Mundial de Saúde. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, reconheceu o fato, e atribuiu o problema à falta de trabalho preventivo.

Para combater a doença e o Aedes Aegypti, o governo convocou as forças armadas e montou um hospital de campanha na cidade do Rio. A Secretaria Estadual de Saúde está mobilizando ainda médicos de outras regiões brasileiras para atender a população que faz fila nos hospitais da capital fluminense. Nesta quarta-feira, o governador  O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, disse que vai avaliar também a possibilidade de pedir apoio de médicos cubanos no tratamento da dengue no estado.

Regiões mais afetadas

Até a indústria farmacêutica sente os efeitos da dengue. O IBGE registrou que, em fevereiro, a produção nacional de repelentes bateu recorde. Apresentou uma expansão de 170,2% em relação ao mesmo mês de 2007. E, mesmo assim, o produto ainda falta em algumas farmácias do país.

Segundo dados divulgados em fevereiro desse ano pelo Ministério da Saúde, o Rio de Janeiro e a Região Norte estão na contramão das estatísticas do resto do Brasil. Enquanto a doença recuou 39,65% em nível nacional, no norte avançou 54,57% e no Rio, 117,42%, nas primeiras cinco semanas deste ano, em comparação com igual período de 2007.

Um dos estados que apresentou redução de índices foi São Paulo. Houve diminuição de 91,7% dos casos em relação ao ano anterior. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, foram 1.297 registros da doença em 2008, contra 44.760 casos no mesmo período de 2007. Mesmo assim, o estado não se viu livre da dengue: no início de abril, foi registrada uma morte pela doença no litoral paulista. Em 2007, 35 pessoas morreram, sendo que 17 contraíram dengue hemorrágica. Há ainda outras suspeitas, ainda não confirmadas, de morte por dengue no estado.

Prevenção em equipe

Em 2007, o governo federal realizou uma pesquisa sobre a eficácia das campanhas de prevenção contra a dengue. Foi concluído que 55% dos entrevistados acham que se o vizinho não tomar as precauções necessárias para evitar dengue, as medidas que ele mesmo adotar não adiantarão. Campanhas posteriores tentaram mostrar à população de que o trabalho de prevenção precisa ser feito em conjunto, e diariamente.

A eliminação de água parada - que é o ambiente propício ao desenvolvimento das larvas do mosquito - ainda é a principal arma para contornar o problema. Os especialistas também alertam para os sintomas da doença: moleza, cansaço, febre, enjôo, dor de cabeça e nos músculos. Também podem surgir manchas vermelhas pelo corpo. No caso da dengue hemorrágica, também podem ocorrer sangramentos.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, no Brasil, circulam hoje três dos quatro tipos de vírus da dengue existentes: os tipos 1, 2  e 3. Em outubro de 2007, houve a suspeita de que um caso do tipo 4 teria sido confirmado em Manaus. No entanto, o Ministério afirma que realizou uma investigação laboratorial e concluiu que o caso não foi do tipo 4.

 

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