Na segunda-feira (28), a deposição do presidente Manuel Zelaya completou três meses, e a crise política no país ainda não foi resolvida. Zelaya, continua refugiado na embaixada brasileira em Tegucigalpa e, por isso, o governo interino ameaçou tirar a imunidade diplomática do órgão. Relembre os fatos que envolvem a crise em Honduras.
28 de junho O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, que deveria cumprir mandato até 2010, foi deposto, preso e deportado do país para Costa Rica. Ele havia decidido realizar um referendo neste dia sobre uma reforma constitucional que, entre outras mudanças, permitiria a reeleição do presidente. Segundo a Corte Suprema de Justiça do país, baseado na legislação, esta consulta extra-oficial aos eleitores seria inconstitucional.
Zelaya insistiu na realização do referendo e, quando as urnas já estavam sendo distribuídas por Honduras, o Legislativo e o Judiciário decidiram intervir, com ajuda das Forças Armadas, para impedir que essa consulta pública, ilegal de acordo com a Constituição daquele país, fosse efetuada.
O presidente, já deposto, foi deportado sob ameaça de ser preso caso regressasse. No mesmo dia, o presidente do Congresso, Roberto Micheletti, na ausência do vice, que renunciou para concorrer à presidência, assumiu o governo interino. Ele permanece no cargo até hoje e promete eleições para 29 de novembro.
1º de julho A Organização dos Estados Americanos (OEA) deu um prazo de 72 horas para que Honduras restituísse o presidente deposto ao poder. A determinação foi desafiada pelo governo interino. Micheletti pediu um voto de confiança à comunidade internacional para lidar com a situação no país.
4 de julho Após alertas de possíveis sanções devido à deposição de Zelaya, a OEA decide suspender o país da entidade. A decisão foi aprovada por 33 entre os 34 integrantes da organização.
5 de julho Primeira tentativa do presidente deposto voltar a Honduras de avião. No entanto, ele foi impedido de aterrissar por bloqueios militares na pista do aeroporto. Houve confronto entre a polícia e apoiadores de Zelaya e pelo menos uma pessoa morreu. A tentativa de outras nações em intermediar diálogos para o fim da crise e a condenação ao golpe continuam.
24 de julho Depois de outra tentativa frustrada no dia 5 de julho, Zelaya se arrisca novamente a voltar ao país. Desta vez, tentou entrar pela fronteira com a Nicarágua. Ficou menos de uma hora em solo hondurenho e teve que recuar, sob pena de ser preso pelo governo interino.
25 de agosto Os Estados Unidos anunciam que vão interromper a emissão de vistos na embaixada hondurenha, exceto para imigrantes e casos de emergência, como parte da nova política em relação ao governo interino.
3 de setembro O governo americano decide cortar a ajuda financeira à Honduras, com exceção do auxílio de caráter humanitário. Assim como outros já haviam dito, o país também afirmou que não reconheceria o vencedor das próximas eleições. O Brasil também impôs aos hondurenhos a necessidade do visto para entrar em território brasileiro, que antes não era necessário.
4 de setembro Honduras exige aos brasileiros visto para entrar no país em resposta à ação do governo de Brasília.
12 de setembro O visto americano do presidente interino Roberto Micheletti, entre outras autoridades, também é suspenso como mais uma forma de pressionar Honduras a restituir Manuel Zelaya ao poder.
21 de setembro Pela terceira vez Zelaya volta ao país. Desta vez, porém, o plano deu certo. Ele teve que mudar de meio de transporte algumas vezes para conseguir burlar os bloqueios militares existentes no país que o impediriam de entrar ou mesmo o prenderiam. Segundo Zelaya, foram 15 horas para chegar até o destino final. Hugo Chávez afirmou que teve que ajudar o presidente deposto a fazer todo esse trajeto, despistando as atenções em telefonemas inventados.
Zelaya foi abrigado pela embaixada brasileira logo no dia da sua volta a Honduras. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, declarou que o Brasil não teve nada a ver com as decisões do presidente deposto, mas permitiu sua entrada no órgão brasileiro em Tegucigalpa.
Com o argumento de proteção à comunidade hondurenha, Micheletti determinou um toque de recolher a partir de 16h locais até as 7h do dia seguinte. Zelaya pediu à população que desafiasse essa ordem. 22 de setembro A crise política em Honduras se intensificou, com manifestantes a favor do retorno de Zelaya ao poder entrando em conflito com a polícia, em frente à embaixada brasileira. Os policiais jogaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o protesto pró-Zelaya e cercou a embaixada.
23 de setembro Diante do cenário de conflitos, o Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, comunicou que a entidade suspendeu o apoio técnico para a realização de novas eleições presidenciais em Honduras, em novembro, e disse que a escolha de um novo presidente poderia perder a credibilidade.
24 de setembro O presidente deposto Manuel Zelaya informou que "iniciou o diálogo" com o governo interino para buscar uma saída pacífica à crise política.
O governo interino acusou o Brasil de "evidente intromissão nos assuntos internos" do país e disse, portanto, que o governo brasileiro é responsável, não só pela segurança do povo hondurenho, como pela de todas as pessoas e propriedades que estiverem envolvidas no caso.
25 de setembro O Conselho de Segurança da ONU se manifestou sobre a situação da embaixada brasileira em Honduras, e pediu mais "respeito" pelos locais de uso diplomático. A declaração foi uma resposta à reclamação do chanceler brasileiro, Celso Amorim, para quem a missão brasileira em Tegucigalpa estava “virtualmente sitiada".
26 de setembro O presidente interino Roberto Micheletti defendeu a realização de eleições para solucionar a crise política que o país atravessa. Micheletti disse ainda que Zelaya poderia deixar a embaixada brasileira sem ser preso, desde que alguma outra nação oferecesse a ele asilo político.
27 de setembro Ainda sem solução para a crise política e a situação de Zelaya, o governo interino ameaçou retirar o status diplomático da embaixada brasileira, caso o Brasil não defina a situação do presidente deposto. Foi decretado o estado de sítio em Honduras, que restringia durante 45 dias as liberdades de locomoção, de reunião e de expressão do pensamento, e autorizava detenções sem ordem judicial prévia.
28 de setembro As forças do governo interino fecharam a emissora de rádio Globo, de Tegucigalpa, um dos últimos meios de comunicação favoráveis a Zelaya. As forças de segurança também invadiram e tiraram do ar a emissora de televisão Canal 36, outra simpatizante do presidente deposto.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) realizou reunião extraordinária para discutir a crise em Honduras, e o secretário-geral da entidade, José Miguel Insulza, disse que a situação inviabilizava eleições.
Na mesma reunião, o representante norte-americano na OEA, Lewis Anselem, classificou como "irresponsável" a volta clandestina do presidente deposto Manuel Zelaya a Honduras, sinalizando uma mudança na posição incial dos Estados Unidos.
À noite, o governo de Honduras admitiu a possibilidade de suspender o estado de exceção. Micheletti disse que seria derrubado o decreto. A intenção de Micheletti era preservar o andamento do processo eleitoral no país - as eleições presidenciais estão marcadas para novembro.
29 de setembro O único representante da OEA em Honduras, John Biehl, afirmou que o estado de sítio, decretado pelo governo de Roberto Micheletti, foi suspenso. Segundo ele, a informação partiu de um alto funcionário da Casa Presidencial.