21/05/2010 - 15:57 (atualizada em 21/05/2010 16:12)
Vaticano recebe anúncio de vida artificial com cautela e adverte cientistas
Igreja assume posição de interesse e prega existência de regras, mas bispo italiano afirma que fingir ser Deus e parodiar seu poder "pode mergulhar o homem na barbárie”
Autoridades da Igreja Católica disseram nesta sexta-feira (21) que a recente criação de vida artificial pode ser uma descoberta positiva, contanto que bem utilizada. No entanto, o Vaticano advertiu os cientistas de que apenas Deus pode criar vida.
A Igreja foi cautelosa em sua primeira reação ao anúncio feito pelos Estados Unidos de que pesquisadores haviam produzido uma célula viva com DNA sintético. Membros da Igreja alertaram para as responsabilidades éticas do progresso científico e disseram que a forma como a inovação será aplicada no futuro será crucial.
O jornal do Vaticano, "L'Osservatore Romano", afirmou que a célula sintética é “uma descoberta interessante”, mas ressaltou que “deve haver regras, como em todas as coisas que dizem respeito ao coração da vida”.
A publicação disse que a engenharia genética pode fazer o bem, mas age em “um terreno muito frágil”.
“É uma questão de combinar coragem e cautela”, disse.
Os cientistas disseram que a célula sintética é mais uma recriação da vida existente – ao trocar um tipo simples de bactéria por outro – que uma espécie original. Mas o pioneiro em mapeamento do genoma J. Craig Venter afirmou que o projeto da equipe abre caminho para o desenvolvimento de organismos que trabalhem de forma diferente do programado pela natureza.
O cardeal italiano Angelo Bagnasco disse que a invenção é sinal da inteligência humana, “dom divino” para entender a criação e ser capaz de governá-la.
No entanto, o bispo Domenico Mogavero expressou preocupação. “Fingir ser Deus e parodiar seu poder de criação é um risco enorme que pode mergulhar o homem na barbárie”, disse ao jornal "La Stampa". Cientistas “nunca devem esquecer que há um único criador: Deus”.