Mundo

22/11/2008 - 14:45
Portal Exame

Tibete ameaçar romper diálogo se não tiver resposta da China

Nova Délhi, 22 nov.- Os delegados tibetanos reunidos em Dharamsala - cidade no norte da Índia que é sede de seu Governo no exílio -, decidiram hoje que o diálogo com Pequim deve ser suspenso se eles não obtiverem uma resposta positiva sobre o memorando de "autonomia genuína" entregue este mês ao Governo chinês.

O porta-voz do Governo tibetano no exílio, Thubten Samphel, disse à Agência Efe que os delegados, que finalizaram hoje um conclave no qual mais de 500 participantes discutiram o futuro do movimento tibetano, mostraram sua "fé e confiança na liderança do Dalai Lama".

Samphel acrescentou que os delegados pedirão ao líder espiritual que continue desenvolvendo ativamente suas funções por considerá-lo um "líder legítimo", e que abandone o estado de semi-retirada no qual se encontra.

Além disso, o porta-voz afirmou que as conclusões do conclave serão repassadas aos membros do Parlamento tibetano em forma de recomendações.

O presidente do Congresso Tibetano de Jovens, Tsewang Rigzin, citado pela agência "Ians", disse que "é difícil prever o futuro, mas a violência não é uma opção".

Rigzin, que foi acusado pelas autoridades chinesas de instigar a revolta iniciada em 10 de março deste ano em Lhasa, a capital da Região Autônoma do Tibete, voltou a negar qualquer vínculo entre sua organização e grupos terroristas.

Em março deste ano, monges budistas organizaram protestos que contaram com o apoio da população e que desembocaram em diversos distúrbios que, segundo o executivo chinês, resultaram na morte de cerca de 20 civis, enquanto o Governo tibetano no exílio elevou o número para 203 mortos.

Após esses distúrbios, o processo de diálogo entre representantes do Dalai Lama e as autoridades chinesas, que havia sido suspenso em 2006, foi retomado.

Durante a 8ª rodada de conversas realizada no início deste mês em Pequim, os enviados do Dalai Lama Lodi Gyari e Kelsang Gyaltsen apresentaram um memorando para tentar obter uma "autonomia genuína" no Tibete.

Depois do retorno dos emissários, foi convocada a reunião, que teve início na segunda-feira passada, com o objetivo de discutir novas vias de atuação e fórmulas para resolver o conflito tibetano.

Em Dharamsala fica a residência do Dalai Lama, líder espiritual e político tibetano, que se exilou na Índia após o fracasso da insurreição tibetana de 1959.

Calcula-se que a Índia acolha cerca de 130 mil refugiados tibetanos que abandonaram seus lares depois dessa revolta. EFE

mb/ab/jp

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