Palestinas choram em funeral de dez pessoas da mesma família
O número de palestinos mortos na guerra de Israel com o Hamas na Faixa de Gaza desde 27 de dezembro já passa de 700, informaram nesta quarta-feira os serviços médicos.
Cerca de um terço das vítimas fatais são crianças e adolescentes menores de 16 anos, segundo Muawiya Hassanein, chefe dos serviços de emergência de Gaza.
Pela primeira vez desde o início da ofensiva, Israel interrompeu hoje os bombardeios sobre a Faixa de Gaza, com o intuito de permitir a chegada de ajuda humanitária à região, onde, após três horas de trégua, foram retomados os ataques.
Milhares de pessoas saíram nesta quarta-feira às ruas da Cidade de Gaza e correram para lojas, supermercados e quitandas para estocarem suprimentos, após mais de uma semana trancadas em casas, que, em sua maioria, não dispõem de eletricidade nem de água potável.
Por conta da suspensão dos ataques, foi possível ver bastantes carros circulando pelas ruas, algo que não se observava há dias na localidade.
As equipes médicas aproveitaram a breve trégua para deixar os hospitais e socorrer os feridos que não tinham sido atendidos devido aos incessantes bombardeios.
Cadáveres também foram retirados do meio dos escombros de edifícios destruídos pelos bombardeios da aviação e dos blindados israelenses.
Testemunhas no norte e no sul de Gaza afirmaram que as forças israelenses abriram fogo antes do términdo do cessar-fogo de três horas anunciado nesta manhã pelo escritório do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert.
O escritório de informação do Exército israelense não confirmou se suas forças efetuaram disparos entre as 13h e as 16h locais (9h-12h de Brasília), o período fixado para a trégua.
Um porta-voz militar israelense disse que, nesse intervalo, as milícias palestinas lançaram um foguete contra a localidade de Ashkelon, apesar de terem respondido a um anúncio de Olmert assegurando que também interromperiam seus ataques.
Pouco após o fim da pausa na ofensiva, a aviação israelense bombardeou vários alvos na cidade de Beit Lahiya, no norte de Gaza, e no campo de refugiados de Al-Bureij, no centro da faixa, informaram emissoras de rádio locais.
Testemunhas na cidade de Rafah, no sul, também confirmaram que aviões israelenses bombardearam intensamente túneis e casas na fronteira com o Egito.
Em Ramala, Rafik al-Hussein, chefe do escritório presidencial de Mahmoud Abbas, disse que "o cessar-fogo por três horas não é suficiente para permitir a entrada de ajuda humanitária".
Enquanto isso, em Israel, o gabinete ministerial para Assuntos de Segurança Nacional aprovou nesta quarta a continuação da operação militar na Faixa de Gaza.
Também avançaram os esforços diplomáticos em prol de um cessar-fogo, uma vez que o Governo israelense disse que consideraria as várias opções para uma trégua, destacando a proposta franco-egípcia que implicaria um embargo de armas ao Hamas com o apoio internacional.