Terremoto de 6.1 graus de magnitude atingiu o Haiti na manhã desta quarta-feira (20), oito dias após o tremor que devastou a cidade de Porto Príncipe.
Abalo ocorreu 56 quilômetros a noroeste da capital haitiana e 22 quilômetros abaixo da terra. Segundo o Centro de Alerta de Tsunami do Pacífico, o fenômeno não estava próximo o bastante do litoral para criar uma onda gigante.
Militares brasileiros tiveram a sensação de um tremor leve na Base Charlie, mas ainda desconhecem a extensão do fenômeno. Impressão inicial de especialistas é de que os possíveis estragos causados pelo terremoto sejam leves.
Um bombeiro brasileiro da Força de Paz das Nações Unidas disse que o tremor pode ter causado queda dos escombros que estão pendurados nas áreas mais atingidas pelos tremores da semana passada, como o bairro de Bel Air, região central da capital.
O engenheiro Hermes Sampaio do Corpo de Engenharia brasileiro no Haiti disse que teme pelo estrago na estrada que está sendo feita pelos engenheiros uruguaios no Sul do país, para dar acesso a um pequeno porto, onde teria sido o epicentro do terremoto. Segundo informações do exército brasileiro, este é o quadragésimo tremor depois do terremoto do último dia 12.
Segundo correspondentes do jornal espanhol "El País", o novo terremoto se fez sentir no hotel de Petionville, onde estão hospedados parte dos jornalistas que cobrem a tragédia no país caribenho. "O edifício já está bastante danificado por causa do primeiro tremor, mas só passamos por um susto aqui hoje", explica o jornalista. No entanto, ainda não se sabe a situação de outras construções na cidade. Confira na íntegra a matéria em espanhol.
Preocupação com a violência Enquanto isso, a preocupação com saques e violência diminuiu, graças à presença de tropas dos EUA que garantem a segurança e distribuem água e ajuda alimentar, e pelo fato de muitos desabrigados terem atendido ao conselho do governo de buscar abrigo fora de Porto Príncipe.
O atendimento médico, o sepultamento de cadáveres, as questões de abrigo e saneamento e a distribuição de água e comida continuam sendo prioridades para as operações internacionais de auxílio, disseram funcionários da ONU, uma semana depois da tragédia.
Embora ainda haja a necessidade de escoltas militares para a entrega de mantimentos, a ONU disse que os problemas de segurança se concentram em áreas que já eram consideradas de alto risco mesmo antes do terremoto. Cerca de 4.000 criminosos fugiram de prisões que desabaram.
"A situação geral em Porto Príncipe continua estável, com uma violência limitada, localizada, e saques ocorrendo", disse o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU.
Amputação com serrote A entidade Médicos Sem Fronteiras disse que um avião cargueiro com 12 toneladas de suprimentos médicos foi impedido de pousar no congestionado aeroporto de Porto Príncipe em três ocasiões desde domingo, e que cinco pacientes morreram pela falta de tais suprimentos.
"Fomos forçados a comprar um serrote no mercado para continuar as amputações", disse Loris de Filippi, que coordena a emergência no Hospital Chocal, mantido pelo grupo na favela de Cité Soleil.
Em nota, os Médicos Sem Fronteira disseram que "drogas para o atendimento cirúrgico e equipamentos como máquinas de diálise são urgentemente necessários, mas os problemas de acesso para as cargas estão causando demoras na entrega".
As autoridades do Haiti dizem que o terremoto matou entre 100 mil e 200 mil pessoas, e que 75 mil corpos já foram sepultados em valas comuns.
Até agora, as temidas epidemias ainda não apareceram, embora muitos feridos estejam vulneráveis a tétano e gangrena, e os hospitais estejam sobrecarregados.
Mas alguns sinais de normalidade começam a aparecer no país mais pobre das Américas. Funcionários da ONU disseram que milhares de sobreviventes estão buscando refúgio junto a parentes e amigos em áreas mais seguras no interior. A empresa de cruzeiros marítimos Royal Caribbean retomou suas escalas na praia particular que possui em Labadee, na costa norte do país.
Nas ruas da capital, ambulantes voltam a vender frutas, legumes e carvão, embora dezenas de milhares de sobreviventes ainda implorem ajuda, e os mantimentos básicos sejam raros e caros.
Os bancos locais permanecem fechados, mas a ONU disse que há planos para que eles abram 30 a 40 pontos de distribuição, onde os clientes poderiam ter acesso às suas contas.
O preço dos combustíveis duplicou, e há longas filas de carros, motos e pedestres com galões em postos de gasolina. Policiais patrulham alguns deles.