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12/01/2009 - 08:17 (atualizada em 12/01/2009 13:43)

Israel usa "bomba de genocídio", afirmam especialistas em armas

Explosivo detonado na Faixa de Gaza seria de fósforo branco, substância que provoca graves queimaduras na pele humana; exército israelense nega uso do aparato

Anita Martins
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Bomba explode simultaneamente a invasão terrestre a Gaza
Bomba explode simultaneamente a invasão terrestre a Gaza

Israel está usando bombas de fósforo branco em ataques à Faixa de Gaza, concluíram especialistas que analisaram, a pedido do Abril.com, fotografias do conflito. “É uma arma de destruição em massa. É uma bomba de genocídio”, afirmou o diretor da empresa Militaria, Fernando Humberto Fernandes, que fornece armas para o Exército brasileiro.

Apesar de não estar na lista de itens proibidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), o explosivo tem a utilização questionada, com base em diversos tratados internacionais de guerra. A Convenção de Armas Químicas, de 1993, proíbe o uso desse tipo de aparato e define como substância química tóxica aquela que “por sua ação sobre os processos vitais, possa causar morte, incapacidade temporal ou lesões permanentes a seres humanos ou animais”. O Protocolo de Genebra, de 1925, condena “o emprego de gases asfixiantes, tóxicos ou similares”.

Além disso, atualmente, “há um consenso de que não se deve usar munições de fósforo branco”, segundo o curador do Museu Militar Conde de Linhares, Adler de Castro, que abriga armas do Exército. Para Fernandes, o uso de fósforo branco é mais grave que o de bombas nucleares porque “a morte por asfixia e queimadura é mais lenta e causa mais sofrimento”. A Cruz Vermelha Internacional já pediu o veto específico desse item.

Quando entra em contato com a pele humana, o fósforo branco pode se transformar em ácido e causar queimaduras, explicou o professor do Instituto de Química da Universidade de São Paulo Koiti Araki. A gravidade depende do tempo de exposição. Caso seja colocado em um ambiente fechado, pode acabar com o oxigênio do local. Além disso, o produto não pode ser apagado como fogo. "Tem de ser raspado. Enquanto isso não acontece, vai consumindo a pele”, disse Castro.

O consultor de segurança Vinícius Cavalcanti afirma que, pelas imagens de Gaza, as bombas parecem ter o intuito de gerar fumaça para desorientar o adversário e dificultar o cenário tático. Castro também concordou com a tese da obtenção de uma cortina de fumaça. Mesmo sem intenção direta de atingir civis, a arma pode “queimar pessoas e provocar incêndios”, diz Cavalcanti.

Militares israelenses negam a adoção de fósforo branco, mas não informam do que são compostos os explosivos. “Israel usa munições que são permitidas pelas leis internacionais”, afirmou o porta-voz das Forças de Defesa Israelenses, Ishai David, ao jornal americano “The Times”.

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