Mundo

22/11/2008 - 14:36
Portal Exame

Fundamentalistas islâmicos somalis querem libertar navio saudita

Abukar Albadri.

Mogadíscio, 22 nov (EFE).- Um grupo de fundamentalistas islâmicos procura no litoral do norte da Somália o superpetroleiro saudita "Sirius Star", para libertá-lo dos piratas que o seqüestraram há uma semana, disse à Agência Efe o porta-voz do grupo.

Fortemente armados, os fundamentalistas do grupo de Sheikh Sharif Ahmed, que fazem parte da Aliança para a nova Libertação da Somália (ANLS), procuram o superpetroleiro no litoral, entre as localidades de Haradhere e Elhur, para tentar abordá-lo.

Após saberem do seqüestro e que os piratas da região de Puntlândia, no norte da Somália, pediam um resgate de US$ 25 milhões pela embarcação, os milicianos fundamentalistas se deslocaram para a região para libertá-lo, pois a embarcação pertence a um país muçulmano.

"Estamos em Haradhere para atacar os piratas caso o navio se aproxime", disse à Efe Abdirahim Isse Addow, porta-voz dos combatentes islâmicos.

"Não nos importa que ataquem navios ocidentais ou os que pescam ilegalmente em nossas águas, mas este é de uma nação islâmica", insistiu.

Para ele, seqüestrar um navio ocidental "não é crime", mas caso se trate de um "navio muçulmano, é delito, segundo o islamismo".

Além de pedir US$ 25 milhões, os piratas ameaçaram afundar o superpetroleiro - de 330 metros, 300 mil toneladas e capacidade para dois milhões de barris de petróleo - caso tentem abordá-lo.

Abdi Benlow, um porta-voz dos piratas que falou com a Efe de Hoybo, a 540 quilômetros ao norte de Mogadíscio, disse que não aceita as ameaças dos fundamentalistas.

"Não vamos libertar o navio enquanto não forem cumpridas nossas exigências", afirmou Benlow, ao mesmo tempo em que advertiu que os piratas têm "capacidade para resistir aos fundamentalistas ou à frota ocidental", que protege os navios que transitam pelo Golfo de Áden e pela costa da Somália.

A Al Shabab, a mais radical e poderosa das milícias fundamentalistas armadas da Somália, uniu-se aos que pedem a libertação do petroleiro saudita e também ameaça atacar os piratas em Puntlândia, norte do país.

"Isso é pecado. É um crime seqüestrar um navio muçulmano", diz o comandante e porta-voz da Al Shabab, Sheikh Mukhtar Robow, conhecido como "Abu Mansoor", no site da organização, sobre o seqüestro do "Sirius Star", ocorrido sábado passado no oceano Índico.

O seqüestro aconteceu na costa da área fronteiriça entre Quênia e Tanzânia, a 1,7 mil quilômetros ao sul de Eyl, o porto de Puntlândia, que é o principal refúgio dos piratas.

Enquanto isto, em Mogadíscio, no litoral central da Somália, a situação política se agrava, já que a Al Shabab ameaça tomar a cidade.

Pelo menos 17 civis, entre eles seis crianças, morreram ontem em Mogadíscio no ataque da Al Shabab à casa do chefe político do distrito, Ahmed Addow, justamente quando as tropas etíopes que apóiam o Governo federal de transição devem se retirar de áreas civis.

Uma testemunha dos combates, Hussein Yousef, de 34 anos, disse à Efe que "as partes envolvidas não verificaram se havia civis: mataram as pessoas e clamaram vitória".

"Todos eles mataram inocentes, incluindo seis crianças e uma mulher grávida", disse Yousef.

Enquanto o caos aumenta na Somália, hoje se iniciaram em Djibuti novas conversas de paz, embora os pactos alcançados até agora, entre eles o assinado há um mês pelo Governo de transição e a ANLS, não tenham sido cumpridos.

A Somália não tem um Governo firme desde 1991, quando os senhores de guerra derrubaram o ditador Siad Barre e assumiram o poder, gerando um caos político e permitindo que milícias fundamentalistas islâmicas e piratas dominassem o país. EFE

aa/fh/jp

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