30/09/2010 - 14:06 (atualizada em 30/09/2010 14:22)
Equador mergulha em crise; soldados tomam aeroporto
Policiais protestam contra a eliminação de benefícios econômicos para a tropa incluídos em uma reforma; a manifestação se estende por todo o país e ameaça submeter a nação ao caos
Soldados queimam pneus durante protesto em Quito; nesta quinta-feira, centenas de militares tomaram a pista do aeroporto internacional da cidade, que foi fechado para os voos
A inquietação tomou conta do Equador nesta quinta-feira (30) quando soldados assumiram o controle do principal aeroporto do país, enquanto policiais protestavam nas ruas. O presidente Rafael Correa analisava a possibilidade de dissolver o Congresso por causa de um impasse político.
Entretanto, o chefe do comando das Forças Armadas, Ernesto González, garantiu que os militares estão subordinados à autoridade do presidente. "Estamos em um Estado de Direito. Estamos subordinados à máxima autoridade que é o senhor presidente da República", afirmou o chefe militar em um pronunciamento transmitido pelos meios de comunicação locais.
O chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, declarou que os protestos "intoleráveis" protagonizados por grupos de policiais no país não têm o respaldo da população. "Uma decisão totalmente inaceitável de parte de alguns setores policiais, não de todos (...). O povo não está apoiando isso, o povo está se mobilizando em favor de seu governo, legitimamente em vigor", disse Patiño, em entrevista por telefone à rede regional Telesur.
Policiais protestam por causa da eliminação de benefícios econômicos para a tropa incluídos em uma reforma legal. A manifestação se estende paulatinamente por todo o país e ameaça submeter a nação ao caos.
No campo político, membros do próprio partido de Correa, de esquerda, estão bloqueando no Legislativo projetos que buscam cortar custos do Estado, o que levou o presidente a considerar a dissolução do Congresso, medida que lhe permitiria governar por decreto até as próximas eleições, disse um dos ministros.
O país, de 14 milhões de habitantes, tem uma longa história de instabilidade política.
Em confusas e caóticas cenas em Quito, centenas de soldados tomaram a pista do aeroporto internacional da cidade, que foi fechado para os voos. "O aeroporto está fechado", disse um telefonista do aeroporto internacional de Quito. Muitos trabalhadores estão sendo enviados para casa e escolas foram fechadas devido ao tumulto.
Em outras partes da capital, policiais uniformizados queimavam pneus em protesto contra uma proposta de corte de benefícios da categoria.
A Constituição do Equador, instituída há dois anos, permite que o presidente declare um impasse político e assim promova a dissolução do Congresso até a realização de novas eleições presidenciais e parlamentares. No entanto, a medida teria de ser aprovada pela Corte Constitucional para entrar em vigor.
"Este é um cenário que não agradaria a ninguém, mas é uma possibilidade quando não existem as condições para a mudança", disse a ministra da Política Doris Solis, depois de se reunir com Correa e outras autoridades na noite de quarta-feira (29). "Ainda não foi tomada uma decisão", disse ela a repórteres.