A maior parte da energia elétrica utilizada no Brasil vem de uma matriz com baixa emissão de carbono, quer dizer, produzida em usinas hidrelétricas, que utilizam a força da água para gerar o recurso. No entanto, o país possui potencial para expandir a rede de produção com opções menos agressivas para o meio ambiente, por meio do aproveitamento do potencial energético da cana de açúcar, do vento e do sol. Mas é necessário investir.
Para completar o volume de energia demandado pela população, especialmente em horários de pico, as termelétricas operam com a queima de combustíveis fósseis como carvão, óleo e gás natural. Considerando o aquecimento global, esta opção de produção de energia é considerada a pior pelo coordenador da área ambiental do Centro Universitário Senac, Alcir Vilela, por emitir carbono com a queima dos combustíveis.
E, apesar da hidrelétrica não apresentar este problema, ela acaba prejudicando as comunidades, a fauna e flora locais, pois a construção da usina requer o alagamento de uma região para represar a água do rio. Na realidade, explica Vilela, nenhuma energia é completamente limpa. “Todas implicam em algum tipo de degradação.”
Biomassa A colheita da cana-de-açúcar no Brasil é feita manualmente, o que requer a queima da plantação para facilitar a atividade. Com isso, o potencial energético da palha da cana é desperdiçado e acaba virando poluição.
A planta poderia ser colhida de forma mecanizada e transformada em energia quase com a mesma eficiência que as usinas hidrelétricas. É possível produzir o recurso em grande volume, no entanto, o governo precisa investir nisso e gerenciar esse processo, na opinião do professor.
E tudo isso sem afetar a produção do açúcar e do álcool.
Vento É na região Nordeste que o potencial eólico poderia ser muito bem aproveitado, de acordo com Vilela. Já existe uma produção de energia por meio dessa opção, no entanto, ainda é uma parcela muito tímida, que poderia ser alavancada, diz ele.
Em Sorocaba, há uma fábrica de geradores eólicos de qualidade, mas que, na maioria, são exportados, pois o Ministério de Minas e Energia não cria incentivos tarifários que viabilizem atender as demandas isoladas.
Esse tipo de produção causa uma poluição visual e requer espaços amplos, mas também não emite carbono, que acelera o processo de aquecimento global.
Sol A energia fotovoltaica é gerada a partir da captação da luz do sol em painéis. Hoje, já existem muitas casas com essa tecnologia, que usa a energia principalmente para aquecimento da água, o que já possibilita uma boa economia de eletricidade.
Assim como todas as outras opções, também precisaria de algum tipo de incentivo do governo para ter escala e vender a energia a um preço competitível no mercado.