O Brasil virou peça-chave na crise política de Honduras ao abrigar o presidente deposto Manuel Zelaya. Expulso do país em 28 de junho, Zelaya surpreendeu o governo interino do país e autoridades internacionais ao chegar à embaixada no dia 21 de setembro, após duas tentativas fracassadas de retorno. Especial sobre a crise em Honduras
O líder deposto recebeu forte apoio do governo brasileiro. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que ele poderia se hospedar pelo tempo que quisesse. E se hospedou. Com as negociações emperradas, Zelaya deve sair apenas depois da posse do presidente eleito, Porfírio Lobo, em 27 de janeiro.
Honduras é um país de pouco mais de 7,2 milhões de habitantes. Fica na América Central, entre a Guatemala e a Nicarágua.
O presidente Manuel Zelaya planejava, desde março de 2009, uma consulta pública não oficial marcada para o dia 28 de junho, na qual a população diria se apoiaria uma mudança na constituição do país para permitir a reeleição do presidente da República.
Atualmente, o presidente só pode ter um mandato de quatro anos. Se os eleitores apoiassem a medida, um referendo para decidir sobre a convocação de uma constituinte seria agendado para a mesma data da eleição presidencial, marcada para novembro.
Alguns críticos do governo alegam que Zelaya tramava a própria reeleição, mas ele nega a possibilidade justificando que a assembleia constituinte não teria tempo hábil de reescrever a carta magna do país antes do fim do seu mandato, em janeiro de 2010, o que inviabilizaria sua candidatura à reeleição.
No entanto, como a Carta daquele país prevê, explicitamente, que qualquer ocupante de cargo executivo que promover a mudança da Constituição para permitir reeleições, a Corte Suprema e o Congresso foram contrários ao referendo, advertiiram seguidamente Zelaya sobre a ilegalidade de seus atos e, consquentemente, decidiram pela deposição e prisão do presidente.
Além de Zelaya, foram detidos oito ministros, entre eles a ministra dos Negócios Estrangeiros, Patrícia Rodas, e o secretário particular do presidente, Eduardo Enrique Reina. Em seguida, Zelaya foi retirado de sua casa, no meio da madrugada, ainda de pijamas, e mandado de avião para a Costa Rica.