A adoção de medidas de proteção ambiental se equipara à abolição da escravidão como mola propulsora do desenvolvimento dos países no início do século 21, defende o ambientalista Sérgio Leitão, diretor de campanhas do Greenpeace Brasil.
Ele afirma que a falta de regulação sobre emissões de carbono deve atravancar o crescimento do Brasil, assim como a demora do país para se livrar do sistema escravocrata.
“O Brasil resistiu a acabar com a escravidão porque havia a força dos interesses que eram dependentes do sistema para gerir seus negócios”, conta Leitão. “Eles não queriam, nem criaram a solução de transição e atrasaram fundamentalmente que o Brasil desse um passo nesse sentido. O Brasil atrasou.”
Hoje, diz ele, essa transição depende de “transformar a discussão sobe mudança climática numa norma orientadora de ação de governo”. Leitão frisa que o processo “é uma questão econômica, política, social, diz respeito a todo processo de inovação cientifica e tecnológica.”
Entre medidas concretas já adotadas por outros países, o ambientalista cita a exigência do presidente Barack Obama para a indústria automobilística. Em maio deste ano, ele determinou que os veículos de passeio devem rodar uma média de 15,1 km por litro de gasolina até 2016. Pré-sal Leitão cita como um sinal do atraso brasileiro o “ufanismo triunfal” em torno do pré-sal. “Pré-sal é o passado”, afirma. Ele lembra que grandes consumidores, como so Estados Unidos, não pretendem aumentar sua dependência petróleo.
“A questão não é que o uso do petróleo vai acabar. A questão do petróleo não é a sua escassez, não é o seu fim. A questão é que há uma busca desenfreada por soluções tecnológicas novas. Na medida em que elas estiverem disponíveis isso vira desnecessário como várias coisas na face da Terra já viraram desnecessárias.”