19/11/2008 - 08:30 (atualizada em 19/11/2008 10:53)
Seleção fecha ano com aproveitamento pior que os de 1994 e 2002
Tabela embolada nas eliminatórias camufla fraco rendimento da equipe dirigida por Dunga, que apresenta rendimento inferior aos das contestadas campanhas anteriores
O argumento da comissão técnica e de boa parte dos jogadores para defender a campanha da seleção brasileira nesta temporada é de que o time ocupa a segunda posição das eliminatórias para a Copa, com 17 pontos, seis atrás do líder Paraguai e um à frente da rival Argentina. Entretanto, se comparada com contestadas jornadas anteriores da equipe nesse torneio, o resultado só se torna bom em virtude de uma peculiaridade de uma tabela inesperadamente equilibrada - o time mantém aproveitamento pior do que outras equipes marcadas pelo fiasco.
O meia Elano foi um dos que citaram a posição do Brasil após 0 a 0 com a Colômbia, no Maracanã, na última rodada - foi o terceiro empate sem gols seguido como mandante. “Se a competição acabasse hoje, estaríamos classificados”, disse. O lateral Maicon endossou a teoria. “A sensação é boa. Estamos na segunda colocação. O objetivo é classificar, não é lutar pela primeira posição”, afirmou. Robinho e Júlio César foram no mesmo caminho.
Contudo, a posição da tabela depois do jogo contra a Colômbia foi conseguida mais graças ao equilíbrio do torneio do que pelos méritos brasileiros. Em 1994 e 2002, eliminatórias nas quais o Brasil sofreu e obteve a classificação apenas na última partida, a seleção teve campanhas melhores do que a obtida até agora na tentativa de ir ao Mundial da África do Sul.
Em 1994, quando as eliminatórias eram um torneio de “tiro curto”, o Brasil disputou oito partidas, obtendo cinco vitórias, dois empates e uma derrota. Utilizando o método atual de pontuação, o time comandado por Carlos Alberto Parreira - e que tinha o atual treinador Dunga na cabeça-de-área - obteve um aproveitamento de 68% dos pontos.
Em 2002, já com o formato atual de disputa das eliminatórias, a equipe chegou à décima rodada com 20 pontos, contra 17 da atual campanha. Com essa pontuação, o time de Dunga tem até agora um aproveitamento de apenas 57%.
Esse diagnóstico mostra que Brasil está na segunda colocação devido ao grande equilíbrio das eliminatórias. Com apenas o Paraguai destacado na tabela, os pontos das outras seleções ficam bem divididos, em quantidade inferior.
Nas eliminatórias para o Mundial da Coréia do Sul e do Japão, por exemplo, a Argentina foi a equipe que disparou na frente, mas houve o destaque negativo de Chile, Peru, Venezuela e Bolívia, que ficaram muito atrás na tabela e ‘roubaram’ poucos pontos das outras seleções.
O ataque brasileiro também está pior do que o setor ofensivo das eliminatórias de 2002. Após dez partidas, o time atual perde de 21 a 15 em gols marcados.
"Pedreiras" pela frente
Se até aqui as eliminatórias têm sido difíceis para a seleção brasileira, ela tende a ficar ainda mais complicada. Isso acontece porque o Brasil, que tem obtido alguns bons resultados fora de casa, terá várias ‘pedreiras’ pela frente até o final do torneio.
A seleção jogará os clássicos contra Uruguai e Argentina como visitante. Além disso, enfrentará Bolívia e Equador, times que normalmente jogam na altitude, fora de seus domínios. Entre os jogos em casa, há ainda a partida contra o líder Paraguai.
Sabendo dessas dificuldades, os jogadores brasileiros haviam comentado sobre a importância de vencer a Colômbia para abrir vantagem antes da sequência de jogos difíceis, mas a seleção não atingiu esse objetivo e chegará para a parte mais difícil do torneio com apenas quatro pontos de vantagem para o quinto colocado, que precisará disputar uma repescagem contra um time da Concacaf.