Esportes
28/11/2008 - 07:43 (atualizada em 28/11/2008 07:50)

Bruno Senna desafia fracassos recentes da Fórmula 1 'nepotista'

Em fase de testes pela Honda por um cockpit em 2009, jovem piloto luta contra os seguidos fracos resultados obtidos por parentes de campeões mundiais na categoria

Denis Eduardo Serio
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Greg e Leo, filhos de Nigel Mansell, estão longe da F-1
Greg e Leo, filhos de Nigel Mansell, estão longe da F-1

No esporte, o fator genético pode contar muito no talento de um atleta. Porém, no automobilismo os parentes de grandes pilotos têm, em sua maioria, fracassado se comparados com seus parentes mais famosos. Esse é um desafio para o jovem Bruno Senna, em sua tentativa de ingressar na Fórmula 1, pela equipe Honda.

Em um ano no qual pode haver um Piquet, um Senna e um Rosberg no campeonato - e não são os pilotos que somam sete títulos mundiais - uma questão se levanta: o nome famoso ajuda, atrapalha ou não faz diferença?

Pelo menos no que diz respeito aos resultados, ser parente de um piloto bem-sucedido não é necessariamente garantia de sucesso. Pelo contrário, a maioria deles sucumbe após não mostrar resultados parecidos com seus antepassados.

O exemplo mais recente foi o de Ralf Schumacher. O irmão do heptacampeão mundial Michael Schumacher foi contemporâneo do parente nas pistas. Em 2003, com Williams e Ferrari aparentemente no mesmo nível, ele teve uma chance de disputar o título, mas terminou o campeonato com apenas 58 pontos, contra 82 do companheiro de equipe Juan Pablo Montoya, que duelou com Michael Schumacher e Kimi Raikkonen pelo campeonato. Ralf conseguiu seis vitórias na carreira, contra 91 do irmão.

Mas antes de Ralf houve vários outros casos de fracassos hereditários nas pistas. Rivais de Ayrton Senna, Alain Prost e Nigel Mansell viram seus filhos passando longe do sucesso no automobilismo. Nicolas Prost correu em algumas categorias inferiores com monopostos na Europa a partir de 2003, mas nunca obteve bons resultados. Greg e Leo Mansell atuam no automobilismo norte-americano.

Em 1993, uma grande promessa havia ingressado na Fórmula 1. Era Michael Andretti, filho do campeão mundial de 1978, Mario, uma lenda nos Estados Unidos. Com bons resultados na Fórmula Indy, Michael foi correr ao lado de Ayrton Senna na McLaren. Em um ano no qual a equipe inglesa já apresentava dificuldades para acompanhar as Williams, Andretti não conseguiu mostrar serviço e teve de voltar aos Estados Unidos.

Tomas Scheckter, filho do campeão mundial de 1979, Jody Scheckter, teve um promissor início de carreira e chegou a ser piloto de testes da Jaguar em 2001. Entretanto, ele foi demitido da equipe por se envolver com prostitutas e desde 2002 atua na Fórmula Indy, tendo conseguido apenas duas vitórias.

Com chance de provarem seu valor, Nelsinho Piquet e Nico Rosberg estão na Fórmula 1, mas ainda não repetiram o sucesso de seus pais, Nelson e Keke. "Para ser bem sincero, (a Fórmula 1) foi mais difícil do que eu achava", reconheceu o filho do brasileiro tricampeão mundial antes do Grande Prêmio do Brasil deste ano. Bruno Senna, sobrinho de Ayrton, pode estrear na Honda em 2009.

Exceções – A lista de fracassos hereditários no automobilismo é grande, mas há apenas dois grandes êxitos. Em 1996, a Fórmula 1 teve como campeão o inglês Damon Hill, que conquistou o título 28 anos depois de seu pai, Graham Hill, tornar-se bicampeão da categoria.

No ano seguinte, o canadense Jacques Villeneuve foi campeão. O seu pai, Gilles, nunca faturou um título, mas teve a carreira precocemente interrompida ao morrer em um acidente na Bélgica em 1982, quando despontava como grande promessa da Fórmula 1.

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