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30/12/2008 - 09:14 (atualizada em 30/12/2008 09:51)

Cursos técnicos aproximam jovem do mercado de trabalho

Com menor duração, ensino profissionalizante é mais barato que curso superior e cria atalho para aluno começar a trabalhar

Raphael Hakime
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Jovem acompanha aula em curso técnico de mecânica
Jovem acompanha aula em curso técnico de mecânica

O brasileiro criou a cultura de terminar o ensino médio e buscar uma vaga na faculdade. A grande demanda pelo ensino superior tradicional criou o que os especialistas chamam de "apagão da mão-de-obra" em setores do comércio e da indústria que exigem, na sua maioria, profissionais formados em cursos técnicos.

Existe um déficit de 123,3 mil vagas formais para profissionais qualificados e com experiência nos setores da indústria e do comércio, segundo dados de uma pesquisa realizada pelo Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - sobre a situação dos trabalhadores formais no Brasil. O estudo é de 2007.

É aí que entra o poder do técnico. A Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), órgão subordinado ao Ministério da Educação (MEC), o define como um curso que capacita o aluno com conhecimentos teóricos e práticos nas áreas do setor produtivo. Seu principal propósito é acelerar o ingresso do estudante no mercado de trabalho. Para participar de um dos 185 cursos oferecidos nas escolas espalhadas pelo Brasil, é preciso ter concluído o ensino fundamental e, para obter o diploma, exige-se a conclusão do ensino médio, que pode ser feito simultaneamente ao técnico.

Por isso, existem três modalidades. Na primeira, o estudante cursa o ensino médio com o profissionalizante. Chamada de "integrada", esta opção dura quatro anos, se feito em um período, ou três, em dois períodos.

É possível também fazer o ensino médio e o técnico separadamente, mas ao mesmo tempo. É comum o estudante buscar o curso técnico quando está no 2º ano do ensino médio, para conseguir os dois diplomas em três anos. Chamado de "concomitante", dura de um a dois anos.

Por fim, há a possibilidade de fazer o ensino técnico depois de ter concluído o médio. Conhecida como "subseqüente", também dura de um a dois anos.

De acordo com Almério Melquíades de Araújo, coordenador de ensino médio e técnico do Centro Paula Souza (SP), órgão mantenedor das Etecs (Escolas Técnicas Estaduais), cada opção tem vantagens e desvantagens. “Na integrada, se o aluno for mal ou não gostar das disciplinas técnicas, ele vai precisar largar o curso, porque o técnico e o médio estão juntos e há uma só matrícula." Já no concomitante, continua, "não existe o problema de ser somente uma matrícula. Afinal, os cursos são independentes".

Segundo dados do Inep - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, vinculado ao MEC -, o censo escolar de 2006 apontou a existência de 3.335 instituições de educação profissional no país. A Setec estima que, atualmente, existam cerca de 3,5 mil estabelecimentos, entre públicos e privados, que oferecem cursos técnicos no Brasil. Só o governo federal mantém 200 escolas de educação profissional no país, o que equivale a 220 mil matrículas por ano. 

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