São Paulo - O vice-presidente executivo do Grupo Telefônica no Brasil, Mariano de Bier, afirmou hoje que os investimentos da empresa no País em 2010 devem ficar praticamente em linha com os aportes realizados este ano. Em fevereiro de 2009, a Telefônica anunciou que pretendia investir R$ 2 bilhões no Brasil ao longo do ano.
"Em 2010, devemos, pelo menos, manter o nível de investimento deste ano", disse Bier. Até o terceiro trimestre deste ano, a companhia investiu R$ 1,4 bilhão no País, de acordo com o presidente do Grupo, Antonio Carlos Valente. No entanto, ele evitou confirmar, alegando período de silêncio, se a totalidade dos investimentos previstos foram de fato realizados. "Mas não estaremos muito distantes do valor previsto inicialmente", disse.
Segundo Valente, os focos da Telefônica em 2010 continuarão sendo a banda larga e a satisfação dos clientes. Bier afirmou que também receberão atenção especial no plano de investimentos a melhora e renovação da rede fixa de telefonia, os produtos de dados e as redes corporativas, além da televisão.
Durante evento realizado hoje em São Paulo, Valente destacou que 2009 foi um ano de aprendizado para a empresa, no qual vários procedimentos internos tiveram que ser revistos.
Vivendi
O presidente do grupo no Brasil afirmou ainda que a companhia aguardará a finalização do trabalho de investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a compra da operadora de telefonia GVT pelo grupo francês Vivendi, antes de apresentar um posicionamento sobre a operação. "Até lá, não temos nenhum comentário a fazer", disse.
O executivo afirmou, no entanto, que considerou a forma como a Vivendi adquiriu o controle da GVT "uma situação pouco ortodoxa". A Telefônica pretendia comprar a operadora por meio de um leilão na Bolsa, marcado para o último dia 19 de novembro, mas acabou superada pelos franceses, que anunciaram a compra da maioria das ações da companhia em negociações privadas no dia 13 de novembro.
A operação, no entanto, está sob investigação da CVM. Caso seja constatada alguma irregularidade, analistas avaliam que a Telefônica pode barrar o negócio na Justiça. Valente admitiu que a derrota da Telefônica para a Vivendi na disputa pela GVT foi decepcionante para a empresa espanhola. "A (perda da) GVT foi uma tristeza para a companhia, tem vezes que você ganha, tem vezes que você perde. Eu gosto de ganhar sempre, mas às vezes não é possível", declarou.
Segundo o executivo, a estratégia da Telefônica não mudará com a entrada do grupo Vivendi no País. Ele admitiu, porém, que a compra de uma companhia com uma rede "tão complementar" aos negócios da Telefônica seria ótimo. "Nós vamos continuar agindo da mesma maneira. Provavelmente há outros competidores mais preocupados que a Telefônica (com a entrada da Vivendi)."