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03/06/2009 - 19:30
Agência Estado

Penalty vai investir R$ 10,6 mi em fábrica na Argentina

Agência Estado
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Por Marina Guimarães

Buenos Aires - A empresa brasileira Penalty anunciou que vai investir 20 milhões de pesos (R$ 10,6 milhões) em fábrica de calçados esportivos na Argentina até 2010. "Queremos chegar ao final de 2009 com a produção local de 120 mil pares e ao final de 2010 com 400 mil pares por ano", afirmou o diretor internacional da Penalty, Alexandre Estefano, em entrevista à imprensa, em Buenos Aires.

Estefano transmitiu à ministra de Produção, Débora Giorgi, a notícia de que esses investimentos vão gerar 70 postos de trabalho no setor. Débora comemorou o anúncio, destacando que a produção vai substituir importações da ordem de US$ 5 milhões. O anúncio ocorre dois dias antes da reunião que os representantes deste setor vão ter para negociar, justamente, os volumes de exportações brasileiras para a Argentina.

Os argentinos querem que o Brasil reduza em 20% suas vendas ao mercado local. Mas o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Milton Cardoso, defende o estabelecimento de um volume anual de 16,5 milhões de pares, o que representa uma redução de 10% em relação aos embarques de 2008. As importações argentinas de calçados estão sujeitas ao controle rígido das licenças não-automáticas, que prejudicam o desempenho das indústrias porque os calçados podem ficar parados meses na aduana.

Se os dois países chegarem a um acordo, o volume acertado poderá entrar no mercado argentino sem burocracia. Porém, o entendimento é difícil de ser alcançado porque a associação dos calçadistas brasileiros exige a participação mínima de 75% no mercado argentino. A Abicalçados questiona o aumento do número de pares que a Argentina vem importando da Ásia. "Nos primeiros meses deste ano, entraram na Argentina exatos 2.637.159 pares daquela região, contra 2.267.315 do Brasil", comparou Heitor Klein, diretor executivo da Abicalçados.

"A Abicalçados sempre esteve disposta a apoiar as ações da Argentina para fortalecer a sua indústria. Porém, não estamos vendo avanços neste sentido, ao mesmo tempo em que aumentam as importações de terceiros países em detrimento das vendas brasileiras", apontou Klein. A entidade também vai insistir na liberação das licenças de importação num prazo nunca superior a 60 dias a contar da assinatura do protocolo e no limite de dois anos para a vigência dos entendimentos.

O rigor aplicado pelo governo argentino para os calçados brasileiros tem um objetivo: obrigar as empresas a investir na produção local em lugar de importar seus produtos do Brasil. A estratégia tem dado certo, já que várias empresas brasileiras passaram a produzir no país: Alpargatas, Vulcabras, Dilly, Paquetá e West Coast. A Vulcabras adquiriu a calçadista argentina Indular; a Alpargatas brasileira comprou a Alpargatas argentina; a Dilly e a Paquetá construíram fábricas próprias; e a West Coast deu início a parcerias com empresas locais que estão produzindo suas marcas.

A Penalty, que já produz 80 mil roupas esportivas na Argentina em quatro fábricas terceirizadas, agora vai ter sua própria fábrica para produzir 400 mil dos 700 mil pares de tênis que vende anualmente no país. "Se não fossem pelas barreiras às importações, dificilmente faríamos estes investimentos aqui", reconheceu Estéfano.

Outras grandes companhias também cederam ao plano do governo de Cristina Kirchner. A Nike internacional anunciou, recentemente, a instalação de uma nova planta com a criação de 100 postos de trabalho. A Converse All Star internacional vai se instalar na Província de Buenos Aires, onde pretende fabricar 550 mil pares de tênis por ano e dar emprego a 180 pessoas.

 

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