A crise que chegaria ao Brasil como uma “marolinha” provocou recessão e demandou uma série de medidas de estímulo para desafogar a economia.
O termo usado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para classificar o efeito do colapso financeiro global no país foi alvo de intensas críticas. Acabou descredenciado pela queda do emprego, o encolhimento do Produto Interno Bruto (PIB), e as desonerações tributárias anunciadas pelo governo para tentar remendar o estrago. Revista Veja: entrevista com Henrique Meirelles
Efeito Entre novembro e janeiro, o país viu se perderem 797 mil empregos formais, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A economia entrou em recessão técnica no fim do 1º trimestre. O conceito vale após duas quedas consecutivas. A primeira, de 3,6%, foi registrada no último trimestre de 2008 e a segunda, entre janeiro e março de 2009, de 0,8%.
O setor automobilístico sofreu com a falta de crédito. No fim de 2008, o faturamento das montadoras caiu 15%. AS empresas deram férias a 45 mil funcionários e chegaram a acumularam 80 mil veículo em pátios e concessionárias. A produção de 400 mil carros foi cancelada.
Desoneração Para estimular o consumo, o governo lançou benefícios tributários com impacto de R$ 15,4 bilhões na arrecadação de 2009. A alíquota do Imposto de Renda para imóveis caiu. Cresceu a lista de materiais de construção com redução no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Carros, caminhões, produtos da linha branca e 70 tipos de bens de capital foram contemplados.
O imposto do pãozinho também ficou mais barato. A alíquota de PIS/Cofins para pão comum e farinha de trigo foi reduzida, assim como a Cofins e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para motos.
Para aliviar a falta de crédito, o governo reduziu o compulsório - parte dos depósitos que os bancos devem obrigatoriamente manter sob custódia do Banco Central. A medida liberou mais de R$ 20 bilhões para irrigar o mercado.
A taxa básica de juros foi reduzida. Passou de 12,75% em dezembro de 2008 para 8,75% em julho de 2009. Em setembro, a série de ajustes parou e a taxa foi mantida pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Recuperação Reflexo das medidas, os dados de emprego começaram a apresentar saldo positivo a partir de fevereiro. Mas o resultado representava pouco fôlego: o saldo ficou positivo em 20 mil vagas no mês. O resultado no acumulado do ano só passou a ser positivo em abril, quando foram criadas 106 mil vagas.
Em agosto, a indústria sinalizava recuperação, avaliando que a crise foi mais curta que o esperado. "Pagamos um preço mais baixo do que eu pensava, no sentido da profundidade e da duração", avaliou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini.
As contas do PIB indicaram o fim da recessão no 2º trimestre deste ano. Houve alta de 1,9%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A reação do presidente Lula foi, novamente, emblemática. Ele atribui aos pobres a reação da economia. “Graças ao povo brasileiro e, sobretudo, a parte mais pobre desse país, a economia sobreviveu com o comércio crescendo praticamente durante 23 meses seguidos."