Apesar de todos os problemas trazidos pela crise econômica, que completa um ano na terça-feira (15) com a quebra do banco Lehman Brothers, ela ajudou a revelar uma fraude histórica realizada pelo financista americano Bernard Madoff. Ele foi detido em dezembro de 2008 por ter desviado bilhões de dólares de sua empresa de investimentos causando prejuízos a milhares de clientes que quiseram resgatar o dinheiro investido após o início da crise.
Com uma série de descobertas e acusações, Madoff, de 71 anos, se declarou culpado em março deste ano e foi condenado em junho a 150 anos de prisão. Ele cumpre a pena atualmente. A Justiça dos Estados Unidos também autorizou o confisco de US$ 170 bilhões em bens do financista para tentar compensar os danos causados aos investidores.
Os advogados das vítimas acreditam que cerca de três milhões de pessoas, incluindo bancos importantes e celebridades, perderam dinheiro no esquema fraudulento de Madoff, que já havia ocupado cargos importantes na economia dos EUA, como a presidência da Nasdaq.
Entre os que sofreram prejuízo do especulador estão o cineasta Steven Spielberg, o apresentador Larry King, os bancos Santander e HSBC, o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Universidade de Nova York (NYU).
Madoff contou que nunca investia os recursos de seus clientes conforme o prometido. Ao invés disso, ele pagava os investidores que buscavam resgates numa conta mantida no Chase Manhattan Bank em Nova York. Ele alegou que se sentia pressionado a atender às expectativas dos clientes de que os investimentos teriam rendimento acima da média do mercado e disse acreditar que a pirâmide financeira duraria pouco tempo. "Mas não durou", admitiu.