Economia

22/11/2008 - 15:15
Agence France-Presse

Bush diz que recuperação econômica levará tempo e defende livre-comércio

France Presse

LIMA, 22 Nov 2008 (AFP) - O presidente dos EUA, George W. Bush, declarou, neste sábado, em Lima, que a recuperação da crise global "levará tempo", em um discurso proferido na reunião de Cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), no qual se comprometeu a defender a Rodada de Doha.

"A recuperação da crise financeira levará tempo, mas vamos nos recuperar e, assim, começaremos uma nova era de prosperidade", frisou Bush.

"Estou deixando o cargo em dois meses, mas este governo fará forte pressão para estabelecer as modalidades, de modo que seja fechado (o acordo), e enviar uma mensagem de que nós rejeitamos o protecionismo no século XXI", frisou Bush, diante dos líderes da região Ásia-Pacífico.

O presidente americano também considerou que o Congresso de seu país deve aprovar os acordos de livre-comércio com Colômbia, Panamá e Coréia do Sul, antes do fim de seu governo.

"É extremamente decepcionante que o Congresso dos Estados Unidos suspenda sua sessão, sem aprovar esses três bons acordos", disse.

"Insto a todos aqueles que apóiam o livre-comércio que continuem pressionando para conseguir a aprovação no Congresso dos acordos de livre-comércio com a Colômbia, Panamá e Coréia do Sul", acrescentou Bush, que deixa o cargo no dia 20 de janeiro.

O presidente dos EUA também abordou questões políticas neste sábado, denunciando o "regime ilegítimo" do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e pedindo a formação de um novo governo que represente a vontade do povo desse país.

"Pedimos que se ponha fim à brutal repressão (...) do regime de Mugabe e que se forme um governo legítimo que represente a vontade do povo", tal como expresso nas eleições de março de 2008, disse Bush, em nota divulgada em Lima.

O presidente Mugabe e seu adversário, o líder opositor Morgan Tsvangirai, devem retomar na próxima semana, na África do Sul, suas discussões para formar um governo de unidade, segundo um acordo para dividir o poder firmado em 15 de setembro e que ainda não saiu do papel.

A atual crise política zimbabuana se soma ao caos da economia desse país africano, com uma inflação que passa de 231 milhões por cento e 80% de desemprego.

Mais da metade da população precisará de ajuda alimentar em janeiro do ano que vem e uma epidemia de cólera que ameaça se espalhar ainda mais já deixou 300 mortos, alerta a ONU.

Horas antes de uma reunião com o presidente russo, Dmitri Medvedev, o presidente norte-americano divulgou uma outra nota, elogiando a "Revolução Rosa" ocorrida na Geórgia em 2003 e que libertou esse país de séculos de influência de Moscou.

"Nesse aniversário, nós, americanos, honramos os valentes cidadãos georgianos que defenderam a liberdade e renovamos nosso compromisso de apoiar a democracia, a independência, a soberania e a integridade territorial da Geórgia", de acordo com a mensagem especial, que está com a data de ontem, mas foi divulgada somente hoje.

O movimento que levou o candidato pró-Ocidente Mikhail Saakashvili ao poder, em Tblisi, provocou celebrações em Washington e nas capitais européias, mas deflagrou uma irritada resposta de Moscou pelas mudanças em sua tradicional esfera de influência.

O presidente Bush, que terá sua primeira reunião bilateral com Medvedev desde a guerra entre Rússia e Geórgia em agosto, classificou os acontecimentos ocorridos há cinco anos como "um dos capítulos mais exemplares da história da liberdade".

 

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