O Banco do Brasil (BB) anunciou nesta quinta-feira (20) que acertou com o governo de São Paulo a compra da Nossa Caixa por R$ 5,38 bilhões. A medida é mais uma tentativa do BB de recuperar a liderança de mercado que perdeu após a fusão entre Unibanco e Itaú. A instituição ainda estuda a aquisição do Banco de Brasília e do Votorantim.
Com a incorporação do banco estatal paulista, o BB mantém a segunda posição na tabela, com cerca de R$ 470 bilhões em ativos, atrás do Itaú Unibanco, com cerca de R$ 515,8 bilhões. Os ativos do Bradesco, o terceiro, eram de R$ 422,7 bilhões no final de setembro. Os números são os mais recentes informados por cada instituição à Bolsa de Valores de São Paulo.
Para analistas, o processo de consolidação do sistema bancário no Brasil ainda terá novos capítulos. "A consolidação não acaba aqui", diz João Augusto Frota Salles, analista sênior da consultoria RiskBank.
O presidente do BB, Antônio Francisco de Lima Neto, afirmou, em entrevista à Globonews, que a operação também tem o objetivo de reforçar a presença da instituição "em um mercado tão importante como São Paulo". Neto contou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já foi informado e reagiu positivamente. Na terça-feira (18), Lula havia dito que quer que "o Banco do Brasil seja muito maior que qualquer outro banco do Brasil".
Operação
De acordo com o comunicado divulgado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre o negócio, o valor da operação por ação é de R$ 70,63 e o pagamento será feito em dinheiro em 18 parcelas mensais corrigidas pela Selic a partir de março do ano que vem. A transação, segundo a Nossa Caixa, está sujeita à aprovação pela Assembléia Legislativa paulista até 10/03, prazo que pode ser prorrogado.
O governo de São Paulo vai alienar 76.262.912 ações ordinárias da instituição, equivalentes a cerca de 71,2% do capital para o Banco do Brasil. Pelo acordo, a Nossa Caixa será incorporada ao BB , que continuará prestando os serviços do banco estadual em todas as regiões onde está presente, mantendo políticas de fomento da instituição e assumindo operação de programas sociais paulistas administrados pelo banco.
O analista da Modal Asset Management Wellington Senter considerou positivo o negócio. “A Nossa Caixa é uma instituição muito conservadora. É possível dobrar sua rentabilidade sem muito esforço, já que espaço para trabalhar produtos e serviços não falta”, disse no início do mês ao Portal Exame.
As negociações em torno da Nossa Caixa começaram no início do ano em paralelo com a tentativa do governo de São Paulo de privatizar as Centrais Elétricas de São Paulo (Cesp). A venda da Cesp fracassou depois que o governo federal se negou a renovar concessões das hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira.
BEP
Na semana passada, o BB havia anunciado a compra do Banco do Estado do Piauí (BEP), instituição com sete agências e 89 mil clientes, por R$ 81,7 milhões.
Em comunicado enviado à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o BB informou que emitirá ações próprias para serem entregues aos acionistas do BEP como pagamento pelo controle da entidade financeira.
As negociações para a compra do BEP começaram em novembro de 2007, e apesar de o banco ter contrato no mês passado uma consultoria para determinar seu valor, o anúncio do negócio foi antecipado por causa de rumores no mercado sobre as aquisições preparadas pelo BB.
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