Movido por um “senso de comunidade”, o cineasta Michel Gondry, há 25 anos, teve a idéia de invadir cinemas abandonados em Paris para rodar, com a ajuda dos vizinhos, pequenos filmes que seriam exibidos posteriormente nas mesmas salas. Seu plano utópico não chegou a se concretizar, mas foi essa mesma vontade de reunir grupos de pessoas em torno da produção de um filme que levou o artista, quase três décadas depois, a transformar a idéia em uma exposição, que chega agora ao Brasil.
Em “Rebobine Por Favor – A Exposição”, que abre ao público no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, a partir de terça-feira (2), Gondry convida grupos de visitantes a se empenharem em uma tarefa divertida: filmarem seus próprios vídeos em cenários criados pelo cineasta, à maneira dos improvisos mostrados em seu longa de mesmo nome, estrelado por Jack Black e Mos Def (com estréia marcada para 12 de dezembro no Brasil).
Para participar, é preciso agendar um horário para seu grupo - de 6 a 12 pessoas - no site oficial do evento (apresse-se, porque restam poucas vagas). Na data marcada, você e seus amigos assistem a workshops onde escolhem o gênero do filme que vão rodar, desenvolvem uma pequena história e aprendem a operar a câmera, fornecida pelo evento.
Depois, é hora de filmar o roteiro, utilizando os 13 cenários disponíveis no espaço do MIS. A filmagem deve acontecer em ordem cronológica e toda a edição deve ser feita na própria câmera. Depois, o grupo consegue assistir ao filme pronto e disponibilizá-lo para visitantes da exposição.
"Erros acontecem, fazem parte do processo", conta Gondry, que veio a São Paulo participar da abertura do evento. "É uma experiência para se divertir em grupo, com um mínimo de planejamento antes."
Visitantes gravam o próprio filme na exposição em Nova York
À moda antiga Gondry enxerga nos avanços tecnológicos recentes – câmeras digitais, sites de compartilhamento de vídeos, como o YouTube – um "fenômeno complicado" quando o assunto é produção audiovisual. “A internet é uma ferramenta poderosa, realmente conecta as pessoas. Então parece muito fácil fazer seu filminho com todos esses recursos", conta o cineasta. "O problema é que, para mim, é preciso de presença física na produção. As novas tecnologias não fazem as pessoas se aproximarem fisicamente. E o senso de comunidade precisa disso."
O posicionamento soa meio antiquado, mas Gondry é o primeiro a se assumir como tal: "sou meio antiquado mesmo. Quando meu filho foi morar comigo em Nova York, o proibi de jogar videogame. Só usamos a TV para reproduzir coisas que não sejam da programação", exemplifica o cineasta, aos risos.
Fãs do diretor talvez não se espantem com essa postura à moda antiga: com videoclipes como "Let Forever Be" (dos Chemical Brothers) e "Fell In Love With a Girl" (do The White Stripes), Gondry ficou conhecido por preferir truques de edição e animação a modernos efeitos especiais digitais. "A experiência de se fazer algo na realidade é muito mais interessante", explica o cineasta.
"Rebobine Por Favor – A Exposição" fica em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS) até 11 de janeiro.
SERVIÇO "Rebobine, Por Favor – A Exposição" Entraga gratuita Museu da Imagem e do Som - Avenida Europa, 158 De 02 de dezembro de 2008 a 11 de janeiro de 2009 Horários da: de terça-feira a sábado das 12h00 às 21h00; domingos e feriados das 11h00 às 20h00 Informações: (11) 2117-4777