Diversão
18/11/2008 - 19:47 (atualizada em 18/11/2008 20:12)

Cartunista da África do Sul ironiza Nelson Mandela em exposição

Jonathan Shapiro critica o líder sul-africano mas afirma que ele entende e admira seus desenhos satíricos

Associated Press
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Exposição de cartuns sobre Mandela foi aberta terça (18)
Exposição de cartuns sobre Mandela foi aberta terça (18)

Não se preocupe, Nelson Mandela consegue rir de si mesmo.

Ao menos é essa a opinião de Jonathan Shapiro, principal cartunista político da África do Sul há 20 anos, cujo trabalho não evita ridicularizar as imperfeições do ícone da luta contra o apartheid.

Na última mostra de Shapiro, o líder sul-africano é retratado como alguém mais famoso que a Rainha da Inglaterra, como um estadista com mais vitalidade que um corredor olímpico e como um santo, com sua auréola escorregando.

A mostra foi aberta na terça-feira (18) no edifício em que funcionam os escritórios de Mandela em Johannesburgo, como parte da comemoração do aniversário de 90 anos do ex-presidente.

Muitos dos trabalhos glorificam o papel de Mandela como libertador nacional e reconciliador da nação Sul Africana. Há cartuns do ex-presidente se virando para encontrar a viúva do Primeiro Ministro Hendrik Verwoed, tido como o arquiteto do apartheid.

Ainda há desenhos encantadores do discurso de despedida de Mandela, quando ele saiu do cargo como o primeiro presidente negro da África do Sul, em 1999, e do anúncio da morte de seu filho por AIDS.

“Mandela personifica as melhores coisas que surgiram da luta pela democracia e contra o apartheid”, diz Shapiro, que assina os trabalhos como Zapiro, à Associated Press. “É esse o espírito que eu tento pegar”.

Mas nem Mandela ficou imune ao humor político afiado de Shapiro em seus desenhos. “É fantástico ter a oportunidade, como cartunista, de criticar um ícone como Mandela e saber que ele compreende essa crítica”, disse Shapiro, afirmando ainda que Mandela já disse a ele o quanto gosta de seu trabalho.

A mostra contém cartuns que fazem chacota de Mandela por tropeços políticos durante seu mandato, mais especificamente quando ele aceitou um prêmio do antigo ditador indonésio Suharto. 

Shapiro posa com seus cartuns políticos em exposição - Foto: AP


O retrato de Mandela como um santo com sua auréola de lado foi feito em resposta a suas gafes políticas domésticas, incluindo o pedido de voto a jovens de 14 anos. “Ele disse que não é um santo e eu senti que deveria criticá-lo”, afirmou Shapiro. “Eu devia isso a mim e a ele”.

Depois de um período no exército sul-africano, Shapiro se tornou politicamente ativo e usou sua arte para promover o então proibido partido Congresso Nacional Africano (CNA), de Mandela, e outros grupos anti-apartheid.

Por seus problemas, ele foi detido e preso. Quando estava na prisão, Shapiro fez um desenho de como ele imaginava Mandela. Fotos de Mandela na prisão foram banidas por décadas, então poucas pessoas o viram até ele ser solto em 1990.

“Eu fui influenciado e conduzido por ele”, disse Shapiro. “Tem sido uma relação estranha e maravilhosa – a maior parte do tempo celebrando-o, mas ocasionalmente atacando-o pelos lados”.

Hoje, Shapiro continua a ridicularizar um novo tipo de político. Ele não mostra remorso ao retratar o líder do CNA, Jacob Zuma, com um chuveiro saindo de sua cabeça e está sendo processado pelo político, provável próximo presidente do país. Zuma afirmou que, como medida preventiva, tomou um banho logo após ter mantido relações sexuais com uma mulher soropositiva.

Cartuns da mostra ainda exibem Mandela castigando o successor Thabo Mbeki por ter feito corpo mole com suas políticas sobre HIV/aids e alertando-o para que não semeie um racha dentro do partido.

"Cada vez mais, ele se tornou a consciência da nação”, disse Shapiro.

 
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