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13/08/2009 - 14:08
Agência Estado

Sogra e nora, uma relação delicada

Agência Estado
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São Paulo, 13 (AE) - Sábado, 11 e pouco da manhã. Natasha, de 23 anos, prepara-se para fazer o vestibular. O marido, de 28 anos, combina de irem a um churrasco após a prova. Natasha diz que não pode acompanhá-lo, pois tem afazeres domésticos. O marido segue até a casa da mãe, a poucos metros dali, para buscar a indicação de uma diarista. Pouco tempo depois, chega um furacão: a sogra. Ensandecida, diz poucas e boas para Natasha. Duras farpas escapam dos dois lados.

A filha do casal, de 2 anos, chora. O filho assiste a tudo sem dizer nada. Furiosa, a sogra liga para os pais de Natasha e ordena que venham buscá-la, pois ela não serve para ser "a mulher de seu filho". Resultado: Natasha perde o vestibular e o casamento é desfeito.

Casos como esse apimentam folhetins, filmes e livros, que trazem à tona a tão estereotipada relação entre nora e sogra. "Se não há bom senso, vira uma guerra, sempre com uma perda para o sistema familiar", avalia a psiquiatra, membro fundadora da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica (SBPA), Iraci Galiás - mãe de cinco filhos, avó de oito netos e no segundo casamento, sempre de bem com a sogra.

Segundo avalia, muitas vezes, a mãe superprotetora quer que a nora cuide do seu "filhinho" como se fosse uma continuidade dela, competindo de forma maternal. Por sua vez, a nora, por temer os palpites da sogra, pode acabar se afastando dela e, assim, ambas caem numa armadilha, que é reforçada pela questão cultural. "Deixam de falar sobre as coisas que as incomodam e podem sobrecarregar o marido." Iraci teoriza:

- Quando a criança é pequena, considera os pais deuses. Na adolescência, os filhos "desidealizam" os pais e passam a enxergá-los como humanos, com qualidades e defeitos. Para os pais, os filhos também são divinos. Essa idealização é saudável e necessária para que construam uma boa autoimagem. Mas, quando chega a adolescência, os pais também têm de "desidealizar" seus rebentos. Se isso não ocorre, as coisas se complicam quando entra uma terceira pessoa, que, nesse caso, é a nora.

NA LINHA DE FOGO

Os casos mais comuns, e perigosos, são aqueles em que não há uma relação direta, e nora e sogra acabam se comunicando pelo marido ou filho. Portanto, a comunicação direta é o melhor caminho. Devem se comunicar com clareza - e cuidado -, falando sobre as situações que lhe desagradaram, mas de forma amorosa, aconselha a psiquiatra.

Geralmente, os atritos ocorrem pelo apego da sogra ao filho. Um quadro que propicia conflitos é o da mãe centralizadora, mandona, chantagista, possessiva, e do filho muito dependente dela e da sua opinião. Assim como também a nora possessiva, ciumenta, que ataca a relação do marido com a mãe, é um terreno fértil para complicações.

O segredo para uma boa relação é simples, ou pelo menos parece. A nora nunca deve falar mal da sogra para o marido. Além disso, nunca deve maldizer da sogra diante dos seus filhos - no caso, os netos dela. Da mesma forma, a sogra não deve falar mal da nora para o filho, nem para os netos. "De modo geral, cada uma precisa ter bom senso no seu papel, seja de nora ou sogra", diz Iraci, lembrando que há mães que excluem a mulher do filho, pedindo para ele visitá-la desacompanhado.

Outro ponto a ser considerado é o fato de a mulher ter maior poder sobre a família, destaca a psiquiatra. Sendo assim, a sociabilidade familiar fica mais nas mãos dela. O problema é que há casos em que a nora conduz a situação de um jeito que a convivência fica mais estreita com sua família, excluindo a sogra.

Esse é mais um foco de conflitos. Iraci lembra ainda que, em casos de briga, os netos podem sofrer as consequências, principalmente quando são privados do convívio com a avó. "O que é uma coisa primordial para a identidade deles", enfatiza.

Para o psicólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), Antonio Carlos Amador Pereira, as relações entre sogra e nora mudaram, pois hoje as mulheres conquistaram o mercado de trabalho e as sogras também são ativas, diferentes daquelas que se dedicavam exclusivamente à família. "A organização mudou, assim como a possibilidade de concorrência com a nora", acredita.

Para ele, o estereótipo persiste, mas é diferente. "Há casos em que a sogra adota a nora antes mesmo de o filho se casar", conta. Como também há aquelas sogras que não respeitam o limite. "Isso não quer dizer ser hostil: o limite tem de ser explicado", ensina.

SEGUNDA MÃE

No entanto, há muitas sogras que se dão muito bem com suas noras. Casada há seis anos com um homem 10 anos mais velho, que é o caçula de dois filhos, a fonoaudióloga Fabiana Ventura Maymone acha que ela e a sogra são muito parecidas, no temperamento e na personalidade. Brincalhonas e carinhosas, se falam todos os dias, com hora marcada: depois da novela "Caminho das Índias", da TV Globo.

Para dar continuidade ao que assistem na telinha, quando o telefone toca, Fabiana atende: "Naja?" E a sogra responde: "Surya!" E caem na risada. Pois o diálogo é uma alusão às personagens da novela, em que a sogra, Indira (vivida por Eliane Giardini) é chamada de naja (uma espécie de cobra indiana) e a Surya (Cléo Pires) faz o papel de uma nora, não menos venenosa.

Para Fabiana, essa liberdade até para brincar é um sinal de respeito e amor entre ambas - falando da vida real, e não da novela. "Quando comento entre amigos que estou com saudade da minha sogra, as pessoas ficam espantadas."

Fabiana conta que, depois que sua mãe faleceu, estreitou mais ainda a relação com a sogra . "Desabafo, choro... e tudo é recíproco. Como uma relação entre mãe e filha."

*Nome fictício, a pedido da entrevistada.

 

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