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06/08/2009 - 15:28 (atualizada em 06/08/2009 15:33)

Meninas viram adolescentes cada vez mais cedo

A idade da primeira mestruação, que era entre 13 e 15 anos na década de 70, muitas vezes não passa dos 12 anos hoje

Da Redação, com Agência Estado
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É essencial ficar alerta aos sinais da puberdade precoce
É essencial ficar alerta aos sinais da puberdade precoce

A idade da primeira menstruação, conhecida por menarca, está caindo. Nos anos 70, meninas iniciavam o ciclo menstrual entre 13 e 15 anos. Hoje, dificilmente passam dos 12 anos. "A tendência é de que diminua mais ainda", avisa o médico José Maria Soares Júnior, coordenador do Ambulatório de Ginecologia da Criança e Adolescente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Essa antecipação do ciclo menstrual decorre de uma puberdade precoce, com o aparecimento de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos. As mamas começam a despontar e a crescer, seguido do aparecimento de pelos pubianos e axilares, em um corpo ainda de criança.

Especial dieta
Especial fertilidade e gravidez

Levando-se em consideração que a menarca ocorre geralmente dois anos após o início da puberdade precoce, uma menina pode menstruar aos 10 anos. Especialistas alertam para o aumento desses casos nas últimas décadas. "Apesar da prevalência na população brasileira não estar bem definida, em países desenvolvidos calcula-se que a incidência passou de 0,5 a 0,8 para 2,0 a 2,3 em mil meninas na faixa etária abaixo dos 8 anos de idade", diz José Maria.

Segundo estimativas, a puberdade precoce é de 2 a 5 vezes mais comum em meninas do que em meninos. E quando os pais se deparam com as mudanças físicas prematuras da filha, assustam-se. "O principal problema é que, ao menstruar, a maturação dos ossos é acelerada e, consequentemente, a menina cresce menos", explica a ginecologista Felisbela Soares de Holanda, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Após a menarca, o crescimento da criança é, em média, de 6 centímetros, dependendo dos fatores genéticos. Mas poderia ser mais, se a menstruação tivesse chegado no momento certo. Segundo os médicos Felisbela e José Maria, não existe uma causa única para a puberdade precoce, mas sim um conjunto de fatores: genética, alimentação inadequada, sedentarismo e o excesso de peso e de estímulos da vida urbana - como internet, programas de TV que estimulam a sexualidade, menos horas de sono, maior cobrança da escola e da família.

"Falar que o uso de batom, saltos e roupas sensuais entre crianças estimula a puberdade precoce é lenda urbana", ressalta o ginecologista da Unifesp, José Maria. Porém, o médico explica que a antecipação do desenvolvimento da mama e dos pelos pubianos pode tornar a menina mais vulnerável a abuso sexual e a gravidez precoce.

"Ao desenvolver o corpo prematuramente, a menina exerce maior atração sexual. Mas, por ser criança ainda, não saberá se defender de alguma investida, muito menos prevenir-se de uma gestação. Sabe-se que 25% dos partos no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde, são de adolescentes. Desses, 15% referem-se a meninas com idades entre 10 e 14 anos", alerta o especialista.

Danos psicológicos
Existem questões sociais e familiares relevantes, que devem ser levadas em consideração. Por causa da puberdade precoce, a menina vivencia antecipadamente os tradicionais conflitos da adolescência, mas com uma mentalidade infantil. Angustia-se também de não saber exatamente o que está acontecendo com o seu corpo e não entende o seu suposto reposicionamento na família e nas relações sociais.

É o que observa a psicóloga Lúcia Helena Laprano Vieira, responsável pelo acompanhamento das pacientes do Ambulatório de Ginecologia da Criança e Adolescente da Unifesp: "Em vez de receber apoio da família, a garota acaba vivendo, muitas vezes, uma pressão, ao perceber a preocupação dos pais, que deveriam passar tranquilidade à filha, em vez de deixá-la ainda mais angustiada."

O tratamento para puberdade precoce, de acordo com a ginecologista Felisbela, é interromper a produção dos hormônios sexuais que surgem antes da idade considerada adequada. A menina recebe doses mensais de um medicamento injetável, sob acompanhamento médico, por um período que pode durar de dois a três anos, dependendo do caso.

"É muito importante que os pais fiquem atentos aos primeiros sinais (da puberdade precoce) e procurem um médico antes de surgir a primeira menstruação, para evitar que o crescimento da criança seja afetado", ressalta a médica. "E também para afastar os problemas sociais aos quais a menina fica exposta."

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