19/11/2008 - 08:36 (atualizada em 19/11/2008 08:47)
Discussão sobre moda masculina: "Ainda bem que superamos o preconceito da camisa rosa"
A mesa de debates que foi parte da programação do seminário “Pense Moda” contou com estilistas, stylists, jornalistas e empresário falando sobre os avanços e os retrocessos da moda para eles
Justum, Ferraz, Santos, Camargo, Aguilar, Ribeiro, Cara e Araújo
A discussão sobre moda masculina no seminário “Pense Moda”, que acontece até dia 19 em São Paulo, foi comentada como uma das mais polêmicas. Com a mediação do jornalista Jackson Araújo, ela trazia um grupo bem diversificado: estavam presentes os estilistas Vitor Santos, Ivan Aguilar e Li Camargo; os stylists Sylvain Justum e Thiago Ferraz; o produtor e empresário Cacá Ribeiro e o jornalista Renato de Cara.
Araújo já começou a discussão falando que, apesar da crise econômica mundial, dados comprovam que a moda masculina nos EUA continua aumentando sua fatia de mercado (1,6% em julho), enquanto a moda feminina está caindo.
Várias discussões foram colocadas na roda: Ferraz, por exemplo, discutiu que o Brasil tem que mostrar mais que sportswear e o surfwear. Ao mesmo tempo, a Osklen, citada como case de sucesso por alguns dos presentes, teve como um de seus segredos transformar o sportswear – misturado com uma imagem de lifestyle cosmopolita e elegante – em algo desejável para a moda contemporânea.
Ribeiro também levantou algumas polêmicas, usando como exemplo o uso do terno com bermuda proposto já faz algum tempo pelas semanas de moda internacionais (e nacionais também). “Para quem são esses ternos? Eu acho esquisitíssimo”, ele coloca. Ferraz se defendeu, no papel de stylist, dizendo que “temos que ter um pouco de respiro” na moda, senão ela vai continuar sem renovações.
Ainda no assunto “styling masculino”, Justum respondeu que o papel deles é “mostrar que pequenos detalhes podem fazer diferença e deixar o homem mais bem-vestido, como misturar as cores de outra forma, propor shapes e testuras diferentes”. E ainda falou uma das frases de maior impacto: “Ainda bem que a gente já superou a coisa da camisa rosa” – referindo-se a abertura maior para a cor mesmo em uma sociedade machista e preconceituosa.
Mas foi de Paulo Martinez, stylist veterano que não estava na mesa de discussão mas pediu a palavra, o momento auge: “Vamos deixar de cinismo e pensar no tamanho do Brasil. A Osklen é um case de sucesso? E a camisa do menino do Calypso também é”. Não custa reportar: a banda Calypso tem uma grife, a Calypso Vest. E existe linha masculina.