23/10/2008 - 19:35 (atualizada em 23/10/2008 19:44)
Cidades brasileiras têm a maior desigualdade social do mundo
Desemprego e declínio dos salários são apontados como as principais causas
Da Redação
Segundo o documento Estado Mundial das Cidades 2008/2009, que faz parte do relatório anual do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-Habitat), as áreas urbanas brasileiras apresentam a maior disparidade de distribuição de renda no mundo.
O relatório utiliza o coeficiente Gini (indicador que mede a concentração de renda de um país e indica desigualdade maior à medida que se aproxima de 1) para medir o nível de igualdade das cidades.
“A Colômbia e o Brasil são os dois países na América Latina com o maior coeficiente de Gini”, disse à BBC Brasil a diretora do escritório regional para América Latina e Caribe do UN-Habitat, Cecília Martínez Leal.
Entre as cidades com altos índices de desigualdade, a diretora cita São Paulo, Brasília e Fortaleza.
Ela afirma que “a desigualdade representa uma ameaça dupla”. “Tem um efeito amortecedor sobre o crescimento econômico e cria um ambiente menos favorável aos investimentos”, explica.
Mas o problema não é exclusivo da América Latina. Grandes cidades americanas, como Atlanta, Washington, Miami e Nova York registram níveis de desigualdade iguais aos de cidades africanas, como Nairóbi, ou latino-americanas, como Buenos Aires.
Pequim foi considerada a cidade com o maior nível de igualdade no mundo. Outras com bons níveis estão localizadas na Europa.
Segundo a diretora, a desigualdade faz com que os novos investimentos em serviços continuem favorecendo a parcela mais rica da população para reverter o quadro dirigir as políticas locais às zonas de exclusão.