Saúde
15/12/2008 - 11:34 (atualizada em 15/12/2008 11:45)

Primeiro remédio que trata a narcolepsia chega ao Brasil

Doença em que os pacientes são acometidos por surtos irresistíveis de sono prejudica a vida social; medicamentos anteriores tinham efeitos colaterais

Da Redação
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Narcolepsia começa por volta dos 18 anos
Narcolepsia começa por volta dos 18 anos

Cerca de 3,3 milhões de pessoas em todo o mundo, 90 mil delas no Brasil, sofrem com a narcolepsia, um distúrbio que se caracteriza por ataques repentinos de sono. Até recentemente, o arsenal para o controle da doença restringia-se a medicamentos estimulantes, como os anorexígenos e o metilfenidato, vendido sob o nome comercial de Ritalina e usado tradicionalmente contra o transtorno de déficit de atenção.

No entanto, essas drogas costumavam deixar os pacientes ansiosos e fazia-os engordar, conta a reportagem da VEJA. Agora, a vida dessas pessoas pode melhorar, pois chegou ao país o primeiro remédio com indicação específica para narcolepsia. Trata-se da modafinila, princípio ativo do Stavigile, do laboratório Libbs.

Organismo
Os cientistas ainda não conseguem explicar com exatidão as causas desta doença. O que se sabe é que o distúrbio neurológico está associado a fatores genéticos e ambientais. Como resultado dessa combinação, tem-se um desequilíbrio na química cerebral responsável pela vigília, mais especificamente nos níveis de hipocretina, substância que nos mantém acordados. "O narcoléptico tem quantidades reduzidíssimas, quase zero, de hipocretina", diz o neurofisiologista Flávio Alóe, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

O novo medicamento aumenta os níveis dessa substância. Graças a essa ação específica, a modafinila reduz, de acordo com o fabricante, os riscos de reações adversas graves. Os efeitos colaterais mais comuns são semelhantes aos provocados pelo consumo excessivo de cafeína, como boca seca e dor de cabeça.

Medicamento
Aprovada nos Estados Unidos no fim da década de 90, a modafinila teve seu uso desvirtuado. Estima-se que cerca de 20% dos 80 milhões de comprimidos consumidos anualmente no mercado americano são receitados para quem não tem nenhum problema de saúde, mas quer (ou precisa) se manter acordado. Entre seus principais usuários estão os estudantes universitários e os integrantes das Forças Armadas.

Cada pílula de 200 miligramas mantém a pessoa alerta por até oito horas – sem que ela sinta um pingo de sono ou fique com a sensação de ressaca típica da falta de descanso. "Não há, no entanto, estudos que comprovem a segurança do remédio em pessoas saudáveis", adverte Luciano Ribeiro Pinto, neurologista da Universidade Federal de São Paulo.

 
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