18/11/2008 - 10:43 (atualizada em 18/11/2008 10:49)
Pessoas infelizes assistem à televisão durante mais tempo, diz estudo
Pesquisa norte-americana mostra que pessoas que se consideram felizes lêem mais jornais, têm vida social mais ativa e participam mais de serviços religiosos
Infelicidade leva à prostração e à falta de atividades
Um estudo feito por sociólogos da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, chegou à conclusão que pessoas infelizes assistem a mais TV, enquanto aquelas que se consideram felizes lêem mais e têm vida social mais ativa.
O trabalho, publicado na revista científica Social Indicators Research, foi feito ao longo de 30 anos no país, informa a BBC. Com base na pesquisa, os cientistas ainda concluíram que as horas que a população passa em frente à televisão podem aumentar devido à crise econômica.
Histórico Os sociólogos John P. Robinson e Steven Martin analisaram dados de quase 30 mil adultos que participaram de estudos sobre o uso do tempo e sobre comportamento social feitos entre 1975 e 2006.
De acordo com as pesquisas sobre comportamento social, ou General Social Surveys, pessoas que se consideram infelizes assistem em média 20% mais televisão do que pessoas muito felizes. Em suas conclusões, os pesquisadores levaram em conta características individuais como educação, salário, idade e estado civil.
As pesquisas também revelaram que pessoas que se descrevem como felizes são mais ativas socialmente, participam mais de serviços religiosos, votam com mais freqüência e lêem mais jornais.
As informações obtidas a partir dos diários em que as pessoas descreviam como passavam o tempo, no entanto, revelaram um quadro diferente. Escrevendo em tempo real, no mesmo dia em que as atividades aconteceram, os participantes parecem ver o ato de assistir televisão de forma mais positiva.
Segundo Robinson, embora os telespectadores digam que a TV de forma geral é um desperdício de tempo e uma atividade não particularmente agradável, muitos acrescentam que os programas vistos "foram muito bons".
Satisfação a longo prazo Baseados nas respostas dos diferentes testes, os autores concluíram que assistir televisão pode contribuir para a felicidade do espectador naquele momento, mas há menos efeitos positivos a longo prazo.
"A TV não parece realmente satisfazer as pessoas a longo prazo da maneira como o envolvimento social ou a leitura de um jornal o fazem", disse Robinson. "Ela é mais passiva e pode oferecer um escape - especialmente quando as notícias são deprimentes".
Baseado em dados colhidos pelas pesquisas sobre o uso do tempo, Robinson prevê que a população deva assistir mais televisão durante o período de crise econômica. "À medida que as pessoas têm progressivamente mais tempo em suas mãos, as horas em frente à TV aumentam".