Estimule a paz interior diariamente; seu corpo agradece
Ter uma tranqüilidade inabalável é uma escolha que você faz a cada dia. Conheça as práticas recomendadas por estudiosos da paz, como o líder espiritual dalai-lama, que irão ajudá-lo a não se sentir engolido pelo caótico mundo moderno.
Apertar o off que causa ansiedade Checar e-mails do trabalho no fim de semana, fazer mil ligações até na hora do almoço, entrar no MSN por puro hábito. Se essas situações soam familiar a você, é sinal de que a tecnologia virou um gerador de ansiedade na sua vida — quando, na verdade, ela deveria facilitar as coisas.
A saída, então, é se desconectar sempre que puder. “Procure deixar de sobrecarregar cada hora com estímulos excessivos”, aconselha a professora de introdução ao budismo tibetano e prática meditativa Mônica Miguez. Passar um tempo sem fazer nada é um jeito de acalentar a alma e, assim, se fortalecer para não sucumbir ao estresse diário, explodindo com tudo e todos.
Ser menos exigente consigo “Há uma citação do dalai-lama que diz: ‘É somente abrindo o nosso coração que poderemos acessar a compaixão, nos tornando mais amorosos’”, conta a psicoterapeuta com enfoque na psicologia budista Celina Figueiredo.
E não só com os outros, mas também com você mesmo. Seguir o conselho do mais famoso dos lamas exige perdoar-se, ser menos perfeccionista e exigente quando não conseguir mudar uma realidade. Afinal, nem sempre as coisas se resolvem como a gente gostaria. Já pensou o peso que vai tirar das costas numa crise profissional ou familiar ao admitir que não é perfeito, mas se ama mesmo assim?
Fazer menos tempestade em copo d’água Digamos que você esteja cheio de dívidas. Remoer-se de preocupação ou reclamar que ganha mal não resolve — até piora a situação. É muito melhor concentrar energias em um jeito de saldá-las: cortar gastos, fazer um bico.
Veja também se não está supervalorizando os contratempos. Uma buzinada no trânsito ou o elevador que quebra, por exemplo, o deixam fora dos eixos por horas? Na opinião da monja Coen Sensei, missionária oficial da tradição Soto Shu — Zen Budismo, com sede no Japão, quando isso acontece, é preciso voltar duas casas e ver se há motivo para se agitar tanto.
“Coloque essas pequenas questões na grande escala da vida”, ensina ela, que é fundadora da Comunidade Zen Budista, em São Paulo. “Se uma discussão a incomoda a ponto de abalar sua paz interior, lembre-se daqueles cuja preocupação é encontrar o que comer, por exemplo.” Dando aos problemas a dimensão que eles têm, você não deverá sentir vontade de pular no pescoço do síndico cada vez que o elevador enguiçar.
Comemorar as coisas boas da vida Agora, um convite a você: anote em uma folha de papel quantas coisas boas aconteceram na sua vida hoje. Pode incluir o telefonema de uma amiga distante, seu cabelo que ficou particularmente radiante, um abraço que recebeu da sua mãe, um mal-entendido desfeito.
Vai perceber que tem tudo para estourar o champanhe agora mesmo. “Se não conseguir se lembrar de nenhum motivo, talvez precise deixar a sua mente mais consciente, atenta para absorver melhor o que ocorre à sua volta”, garante Lygia Parroox, vice-presidente do Centro Budista Tardö Ling. Vai dizer que com tantos motivos para comemorar você se importará com aquele infeliz que fechou seu carro na rua!