São Paulo - A publicação Consenso Terapêutico, documento com recomendações a profissionais da saúde que será lançado hoje pelo Ministério da Saúde, trará um capítulo que orienta o médico a tomar a iniciativa de falar sobre gravidez com mulheres portadoras do HIV. “Não cabe ao governo incentivar a gravidez. Apenas orientar o casal sobre riscos e métodos atualmente existentes para tentar evitar a contaminação, explica” o assessor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Ronaldo Hallal. Entre 2008 e 2009, pelo menos 6 mil brasileiras portadoras do HIV engravidaram no País. “Levantamentos mostram que 80% das pessoas com aids estão em idade reprodutiva. É natural que parte delas queira ter filhos”, diz.
As propostas apresentadas no consenso brasileiro repetem recomendações de países como Itália e Inglaterra. “O conhecimento nessa área evoluiu. Sabemos, por exemplo, que se a quantidade de vírus circulante for indetectável e se os níveis de células de defesa for alto, o risco de contaminação do parceiro é menor”, conta Hallal. As técnicas variam de acordo com o caso. Influenciam fatores como o sexo do parceiro soropositivo, a existência ou não de outras doenças sexualmente transmissíveis e o uso de drogas. Entre as possibilidades, está a inseminação artificial ou a dispensa do uso de preservativos.
“Não há método 100% seguro. O que fazemos é mostrar as possibilidades, com riscos e vantagens de cada uma.” No caso de o homem ter o vírus e a mulher não, uma das alternativas é recorrer a uma técnica chamada lavagem do sêmen. Feita em pacientes que estão em condições controladas há pelo menos seis meses, a técnica processa o esperma de forma a separar o HIV. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. AE