WASHINGTON (AFP) - A leptina, um hormônio que suprime a sensação de fome em pessoas com boa saúde, poderá também ser eficaz para os obesos, segundo uma pesquisa realizada com cobaias e que teve os resultados publicados nesta terça-feira.
A descoberta há cerca de dez anos desse hormônio, que regula as reservas de gorduras no organismo, havia gerado grandes esperanças na luta contra o excesso de peso e a obesidade.
Mas a euforia durou pouco, ou até os cientistas descobrirem que a leptina era ineficaz entre os obesos devido a uma resistência a seus efeitos.
"A maior parte dos humanos obesos são resistentes à leptina uma vez que seu cérebro bloqueia seus efeitos", destaca o Dr Umut Ozcan, da faculdade de medicina da Universidade de Harvard (Massachusetts, nordeste), um dos autores do estudo divulgado no jornal Cell Metabolism datado de 7 de janeiro.
Durante anos, a indústria farmacêutica e os laboratórios universitários procuravam um medicamento capaz de tornar o cérebro dos obesos sensíveis à leptina mas sem sucesso, prosseguiu o médico.
Mas, quando ele e sua equipe trataram ratos obesos, submetidos a uma dieta rica em gorduras, com um ou outro medicamento - os chamados Buphenyl (4-PBA) e ácido tauroursodesoxicólico (TUDCA), esses animais viram sua sensibilidade aos efeitos da leptina se multiplicarem por dez.
Todos os ratos, então, perderam peso, mesmo se continuassem a ingerir alimentos ricos em gordura, afirmam os cientistas.
"Se o nosso estudo com os ratos der certo com os seres humanos, poderemos tratar a obeside", afirmou Ozcan que espera iniciar, logo, os testes clínicos.
Os dois memédicamentos, o Buphenyl e o TUDCA já obtiveram sinal verde do Food and Drug Administration, a agência federal de medicamentos e produtos alimentares americanos.
O Buphenyl é prescrito para tratar disfunções do fígado e a fibrose cística.
O TUDCA é usado há séculos na medicina chinesa tradicional e aplicado para curar doenças hepáticas.