Saúde

20/10/2008 - 16:50 (atualizada em 20/10/2008 17:10)

Entenda por que coisas ruins acontecem com pessoas boas

Diante das inexplicáveis perdas é natural questionar o sofrimento

Da redação

Em busca de respostas ou pelo menos na tentativa de encontrá-las, o jornalista e filósofo Ariel Finguerman apresentou um curso com o título Por Que Coisas Ruins Acontecem a Pessoas Boas?

O propósito era trazer à reflexão algumas visões da Bíblia hebraica sobre Deus, a justiça e as causas do sofrimento.

“Na Bíblia hebraica, para os judeus, ou no Antigo Testamento, para os cristãos, a primeira sugestão de resposta a essa pergunta está na lei da retribuição”, explica Finguerman.

“Segundo ela, existem quatro verdades: Deus comanda o mundo. Ele o faz com justiça. A humanidade sabe o que Deus quer. Quem se comporta de acordo com essas leis será abençoado e quem a desobedece será castigado.”

Por essa ótica, interpretada ao pé da letra, ondas gigantes, acidentes de avião e outras tragédias têm sempre um motivo, mesmo que seja um acerto de contas por aquilo de errado que nossos antepassados fizeram.

Pelo menos essa é a verdade na primeira parte da Bíblia (o chamado Pentateuco).

Com o tempo, no entanto – vale lembrar que a Bíblia é um conjunto de 100 livros, que começaram a ser escritos mil anos antes de Cristo e cuja última revisão terminou por volta do ano 70 d.C. –, esse conceito foi mudando.

Seus autores presenciaram diversas histórias e puderam constatar que punições não aconteciam apenas para os desonestos.

“Ao contrário: há exemplos de tiranos como Menash, que reinou por 55 anos e foi abençoado com muitos filhos e vida longa, enquanto homens bons, como Jó, perderam família e propriedades e adoeceram”, exemplifica Finguerman.

Plano divino
Embora até hoje exista um raciocínio ortodoxo idêntico ao da doutrina quando nos perguntamos “por que isso foi acontecer comigo, que sou tão honesto e bom?”, a lei começou a ser insuficiente para explicar a realidade no mundo.

“Os esforços para justificar a vontade de Deus diante dessas tragédias (o que se chama teodicéia. Teo, quer dizer “Deus”, e dicéia, “justiça”) acabaram resultando em revisões ao longo da Bíblia. 

No Livro dos Cronistas – que vem depois do Pentateuco e do Livro dos Reis –, onde havia mérito, os autores adicionaram uma recompensa.

Quando reis pecadores prosperavam, a nova passagem acrescentava uma punição.

E, finalmente, no Eclesiastes, a parte mais filosófica do grande livro, os autores desistem de explicar o mundo segundo a lei da retribuição e se rendem à incerteza no caminho a seguir pela vida.

Concluem que pode haver, sim, um plano divino, mas que pouco se sabe sobre ele. Pode haver ou não recompensa após a morte. E o melhor é adotar posturas moderadas.

 
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