Corpo do bebê é programado para se alimentar como a mãe
Uma pesquisa da Rockefeller University, dos Estados Unidos, afirma que uma dieta rica em gorduras durante a gravidez pode causar mudanças no cérebro do bebê que levam ao hábito de comer demais e à obesidade durante a vida da criança.
O estudo, publicado na revista “Journal of Neuroscience”, fez testes com cobaias e mostrou que os ratos nascidos de mães que tinha uma dieta rica em gordura tinham mais células no cérebro que produzem as proteínas responsáveis por estimular o apetite, informa a BBC.
Pesquisas anteriores, feitas em animais adultos, já haviam mostrado que quando um tipo de gordura chamada de triglicerídeos circula no sangue, ela estimula a produção de proteínas cerebrais que estimulam o apetite.
O novo estudo indica que a exposição aos triglicerídeos da dieta materna tem o mesmo efeito no desenvolvimento do cérebro do feto, e que isso pode durar por toda a vida.
Conclusões Ao comparar os filhotes de ratos com alimentações diferentes, os cientistas notaram que as crias dos animais que haviam consumido mais gordura durante a gestação não apenas comiam mais e eram mais gordos, mas também tinham um início antecipado da puberdade.
Outra análise mostrou que, mesmo antes de nascerem, esses filhotes tinham um número maior de células cerebrais que estimulam o apetite, em comparação com filhotes de mães que se alimentaram bem. Essa diferença é mantida por toda a vida. Em comparação, os filhotes de ratos que tinham uma dieta mais equilibrada tinham menos células desse tipo e elas apareciam mais tarde.
"Este trabalho oferece a primeira evidência para um programa fetal que liga níveis altos de gordura circulando no sangue da mãe durante a gravidez ao hábito de comer demais e ao aumento de peso pelo bebê depois que ele passa a comer alimentos sólidos", disse a pesquisadora Sarah Leibowitz.
Os pesquisadores sugerem que o cérebro do feto é programado para que ele sobreviva com a mesma dieta seguida pela mãe e acreditam que um mecanismo semelhante pode estar em operação em humanos.