De acordo com os resultados do estudo DELA (Depresíon en Latinoamérica), realizado com 1.100 mulheres, entre 35 e 55 anos, de cinco países (Brasil, Chile, México, Colômbia e Venezuela), mulheres latino-americanas garantem que um dos principais problemas do tratamento da depressão são as alterações no apetite e diminuição no desejo sexual.
O estudo, coordenado pelo Ibope, foi apresentado hoje durante XXV Congresso da Associação Latino-Americana de Psiquiatria (APAL), em Isla Margarita, na Venezuela.
“A pesquisa traz informações importantes para médicos sobre a percepção que as mulheres têm da depressão”, avalia o psiquiatra Edgard Belfort, presidente do comitê organizador do congresso. “Elas têm duas vezes mais depressão do que os homens e precisam conhecer mais sobre a doença”, completa.
Do total de mulheres entrevistadas nos cinco países, 45% delas ainda acreditam que a depressão é uma doença de pessoas frágeis, o que revela o preconceito que ainda cerca o problema. “O resultado revela que há desinformação em torno da doença”, explica Belfort.
De acordo com a pesquisa, 96% das latino-americanas concordam que a depressão provoca alterações significativas no apetite e 87% dizem que a depressão na mulher diminui o desejo sexual.
Para 45% das entrevistadas, os medicamentos utilizados no tratamento da depressão provocam significativo aumento de peso. Entre as que afirmaram ter depressão, esse índice sobe para 50%.
Segundo especialistas, o aumento de peso está entre um dos fatores que dificultam a adesão das mulheres ao tratamento contra a doença. Para metade das entrevistadas, a perda de desejo sexual é outro efeito colateral dos antidepressivos que também pode atrapalhar.