03/12/2008 - 15:21 (atualizada em 03/12/2008 17:11)
Deixar as tarefas para depois é hábito que pode atrasar sua vida
Você costuma deixar tudo para fazer mais tarde? Cuidado, pode ser que você sofra de procrastinação crônica e deixe atividades importantes para o dia seguinte
Perfeccionismo pode ser um gatilho para procrastinar
A procrastinação nunca foi tão presente na vida das pessoas quanto depois da invenção do computador – essa máquina de trabalho e estudo que também funciona como janela para o mundo e sala de bate-papo com os amigos.
Os computadores de boa parte das empresas são controlados por proxys e firewalls, aplicativos que bloqueiam o acesso a determinados sites e ferramentas online. Em alguns ambientes de trabalho, até mesmo e-mails pessoais são proibidos, e há sistemas de controle de acesso pelos quais os funcionários do departamento de tecnologia podem saber exatamente como e quando você usa a internet. Isso se eles não estiverem ocupados respondendo mensagens no orkut ou MSN, é claro.
Segundo reportagem da revista SUPERINTERESSANTE, procrastinação é bem diferente de preguiça. Enquanto preguiça é evitar trabalho, a primeira é ter muita coisa pra fazer e deixá-la para a última hora. “A procrastinação está relacionada a uma discrepância entre a intenção de trabalhar e a ação real de trabalho”, afirma Piers Steel, psicólogo da Universidade de Calgary, no Canadá, e autor de estudos sobre o assunto. “Procrastinadores têm uma intenção maior de trabalhar, mas só no começo do processo.” Por que adiar? Se ela faz mal para a saúde e acaba com o nosso fim de semana, por que procrastinamos? Aí entram várias hipóteses. O ato de adiar pode estar relacionado à exigência de perfeição – pessoas perfeccionistas preferem tarefas desafiadoras às fáceis de realizar. “Não é à toa que os estudantes com mais capacidade procrastinam mais”, diz a psicóloga Patricia Sommers. Segundo ela, entre uma série de variáveis que favorecem a enrolação, o medo do fracasso é a líder da lista. “Aqueles que mais têm medo de errar são os que mais procrastinam.”
Na hora de botar a mão na massa, acabam adiando a realização da tarefa por medo de errar. Também pode haver, na raiz da procrastinação, um pouco de auto-sabotagem. Se achando pouco merecedor dos benefícios que a tarefa poderia lhe render, o procrastinador inventa ou dá muito valor a obstáculos que o impedem de cair de cabeça no trabalho, acabando com a possibilidade de fazê-lo bem-feito.
Para o psicólogo Piers Steel, porém, o que mais explica a procrastinação é o fato de valorizarmos muito mais o momento presente que a imaginação de um suposto futuro. Tanto que é muito mais fácil adiar tarefas que exigem tempo (acabam com o nosso tempo presente) e que resultam em recompensas pouco claras para um futuro distante.
Muitos de nós evitamos ao máximo uma tarefa porque a consideramos chata, sem sentido ou no mínimo desconectada dos nossos interesses pessoais. Assim, deixamos tudo para amanhã, nos entretendo com algo que cause um alívio mesmo que temporário. Por isso, um jeito de evitar a procrastinação é tornar as tarefas mais legais, se concentrando no que elas têm de bom e na recompensa que ela traz se for realizada antes.