Saúde

10/11/2008 - 15:0

Cientistas criam células assassinas para combater HIV

Descoberta pode levar a forma mais eficaz de combater a infecção do vírus

Da Redação

Cientistas da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos afirmam ter conseguido criar células em laboratório capazes de neutralizar um dos mais bem sucedidos mecanismos de defesa do vírus HIV, que é a sua capacidade de mutação rápida.

De acordo com estudo divulgado na revista Nature Medicine e reproduzido pela BBC, as células do sistema imunológico podem se prender ao HIV, causador da Aids, mesmo depois de ele sofrer uma mutação para tentar "despistá-las".

Espera-se que o estudo possa levar a uma forma mais eficaz de combater a infecção do vírus HIV.

A maioria dos tipos de vírus pode ser combatida pelas próprias defesas do organismo, em parte graças às "células-T assassinas", que aprendem a reconhecer o intruso e a eliminá-lo.

Mas o poder do HIV se deve à sua habilidade de sofrer mutações rapidamente para fugir da detecção e da destruição.

Versões extras

O projeto em andamento nas Universidades de Cardiff, no País de Gales, e da Pensilvânia, nos Estados Unidos, em parceria com uma companhia de biotecnologia sediada em Oxford, na Inglaterra, envolve a criação de um aglomerado de células com a habilidade de reconhecer e atacar mais destas formas que sofreram mutação.

Para isso, os cientistas "implantaram" versões extras do "receptor de células T" (parte da célula responsável por identificar e remover células infectadas) que foram programadas para identificar várias mutações do HIV.

"Quando o organismo fica infectado com HIV, o sistema imunológico não sabe o que o vírus vai fazer - mas nós sabemos", disse Andrew Sewell, imunologista da Universidade de Cardiff, que liderou o estudo.

"Diante das células assassinas que criamos, o vírus vai morrer ou ser forçado a mudar seu disfarce de novo, enfraquecendo-se no caminho."

"Nós preferimos a primeira opção, mas eu suponho que veremos a segunda", acrescentou Sewell. "Mesmo que apenas tornemos o vírus mais fraco, isso ainda será um bom resultado, porque ele provavelmente vai se tornar um alvo mais lento e fácil de ser alcançado."

"Forçar o vírus a um estado mais debilitado provavelmente diminuiria sua capacidade de se propagar entre a população e pode ajudar a tornar mais lento ou até impedir o desenvolvimento da Aids em indivíduos."

Ade Fakoyak, da organização International HIV/AIDS Alliance, diz que a pesquisa representa um "sistema de detecção aprimorado", mas alertou que pode não ser uma estratégia adequada para todos os portadores do HIV.

"Uma limitação do estudo é que as células assassinas são criadas usando uma parte específica do receptor de células ativas, mas o desenho genético desses receptores varia de acordo com diferentes populações raciais", afirma Fakoyak.

 
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