Saúde

03/11/2008 - 11:02 (atualizada em 03/11/2008 11:17)

Aumenta a quantidade de medicamentos retirados do mercado

Monitoramento mais rigoroso faz crescer veto contra remédios de efeitos dúbios

Da Redação

Imagine ir à farmácia, pedir o remédio que você toma há anos e descobrir, sem aviso prévio, que ele não é mais fabricado? Consumidores do tão aguardado comprimido antibarriga Acomplia foram protagonistas dessa cena recentemente.

Apenas dois anos após o seu lançamento, o medicamento foi retirado das farmácias por aumentar o risco de depressão entre seus usuários.

Segundo reportagem da VEJA, na lista dos medicamentos vetados, também circulam antiinflamatórios, remédios contra colesterol e outros tantos.

Depois de surpreendido com a notícia, só resta ao consumidor passar a usar outro remédio – em geral, mais antigo e menos eficiente – e esconjurar mentalmente o medo de engrossar a estatística das vítimas dos efeitos colaterais graves e até irreversíveis da medicação.

Universo dos remédios
Os problemas têm origem na criação e no aperfeiçoamento de uma nova molécula, estende-se ao marketing agressivo e nem sempre honesto dos laboratórios farmacêuticos e culmina no mau uso do medicamento tanto por parte de muitos pacientes quanto por parte de médicos.

Se existe uma boa notícia em terreno tão minado, é a de que, se remédios estão saindo do mercado, é porque a vigilância feita por instituições científicas independentes tornou-se mais eficiente.

"Não há dúvida de que o monitoramento se intensificou bastante nos últimos dez anos", diz o médico João Massud Filho, especialista em pesquisa de novos medicamentos, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

A produção de um remédio é um processo longo e caro. Só a indústria americana investe mais de 50 bilhões de dólares por ano em desenvolvimento de medicamentos. 

Ao chegar às farmácias, um remédio terá custado algo em torno de 1 bilhão de dólares e consumido em média dez anos de investimento. 

Isso significa que o fabricante tem apenas outros dez anos para vendê-lo com exclusividade, até que vença a patente (ela começa a contar a partir do registro da molécula que dá origem ao medicamento). 

Depois, o caminho está aberto para a produção de genéricos e os lucros proporcionados pelo remédio caem drasticamente. É, portanto, natural que os fabricantes tenham pressa em lançar um medicamento. O problema é quando a correria implica a piora dos padrões de controle. 

 
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