Antibióticos só devem ser tomados contra bactérias
Apesar da recomendação que ninguém deveria tomar remédio sem o acompanhamento de um médico, ainda há quem abuse desta prática. No caso dos antibióticos, remédios para combater doenças provocadas por bactérias, o uso indevido da droga pode causar problemas sérios.
Para esclarecer dúvidas sobre esta medicação, a SAÚDE! preparou uma lista com explicando o que pode e não ser feito com ela. Confira algumas dicas.
Pode tomar sem receita médica? Não pode. O antibiótico é o medicamento indicado quando você foi infectado por uma bactéria. E só um médico consegue apontar se determinado problema foi mesmo causado por uma bactéria ou se é conseqüência do ataque de vírus e outros microorganismos, contra os quais nenhum antibiótico fará o menor efeito.
Além disso, algumas bactérias sucumbem depressa a certos remédios, mas resistem a outros. Ou seja, a figura do médico também é importante para se chegar ao antibiótico ideal para cada caso. Para completar, há outras variáveis. Por exemplo: a duração do tratamento costuma variar conforme o órgão acometido.
O médico pode acertar na escolha do antibiótico só pelo olhar clínico, sem fazer exames? Um médico experiente até consegue, muitas vezes, acertar na escolha da droga somente com base em uma boa avaliação, que inclui o exame físico, o relato dos sintomas, o histórico daquele indivíduo e as observações sobre seu estado de saúde geral. Mas, claro, ele sempre poderá solicitar exames complementares.
Um antibiograma funciona como prova dos nove, testando a reação da bactéria causadora daquela infecção a diversos antibióticos. O resultado acusa que remédio seria o mais eficaz para derrotá-la.
Um antibiótico pode matar todo tipo de bactéria? Não. Cada microorganismo é sensível a determinadas drogas e, ainda assim, para ser destruído vai exigir uma concentração e um período de tratamento específico. Moral da história: para cada bactéria, uma sentença.
É possível tomar antibiótico só como prevenção, nos primeiros sinais de uma dor de garganta, por exemplo? É prática é altamente contra-indicada. Se a dor de garganta for causada por um vírus (o que é a maioria dos casos de dor de garganta), um antibiótico será, no mínimo, ineficaz. Sem contar que o remédio usado indevidamente poderá abrir a brecha para a entrada de bactérias resistentes a medicamentos e bem perigosas. É a famosa história do tiro que sai pela culatra.
Um antibiótico pode demorar mais de 24 horas para proporcionar algum alívio nos sintomas? Sim. Alguns sintomas, como a febre, podem demorar até 72 horas para desaparecerem de vez. No entanto, é importante que, ao longo desse período, você já note pequenas melhoras, progressivas, na sensação de dor e mal-estar. Se nada está melhorando, volte a conversar com o médico.
Um antibiótico errado pode agravar uma infecção? Pode. Imagine que, em seu corpo, diversas bactérias estejam competindo. Quando alguém toma um antibiótico errado para tratar o seu caso, tanto bactérias inocentes, que não causam problemas, quanto alguns tipinhos encrenqueiros, mas fracos, acabam morrendo.
Aí é como se o verdadeiro vilão da história ficasse livre de concorrência para povoar e dominar o organismo. Vale repetir o conselho de sempre: em qualquer infecção, a avaliação médica é fundamental.
Um antibiótico pode matar, se a dose for exagerada? Pode, em tese. Como qualquer outro remédio, o antibiótico se torna tóxico em doses excessivas. Aí é capaz de comprometer os rins, o fígado ou até mesmo causar convulsões.
Antibióticos podem causar alergia? Pode, pois qualquer remédio pode ser o estopim de reações alérgicas. Entre os antibióticos, a penicilina é uma das que mais provocam respostas do gênero, causando desde erupções de pele a choques anafiláticos em quem apresenta tendência à alergia.
Antibióticos podem provocar dor de estômago? Sim, alguns princípios ativos de antibióticos comuns irritam as paredes estomacais, gerando o desconforto.
Esse tipo de medicamento pode causar dor de cabeça? Pode. Alguns antibióticos, como o metronidazol, são capazes de causar dores de cabeça em pessoas mais sensíveis.