Aproveite o amigo secreto para surpreender e ser surpreendido
Não se sabe ao certo quando e como surgiu a brincadeira natalina do amigo secreto – ou oculto. Mas certamente deve ser um desdobramento da tradição de trocar presentes nessa época: uma celebração como fizeram os três Reis Magos quando o menino Jesus nasceu.
Acontece que, como escreveu o filósofo alemão Theodor Adorno (1903-1969) no livro Minima Moralia, o ato de presentear foi rebaixado “ao nível de uma função social que se efetua com uma racionalidade contrariada”. Uma crítica aos dias em que viveu, mas que se mostra bem atual.
Para ele, a verdadeira felicidade do ato de presentear acontece ao pensar na alegria de quem recebe aquela caixinha misteriosa. Trata-se do fato de alguém ter dedicado seu tempo e sua criatividade ao outro – não importa quem seja. Pois, como disse o filósofo, “não há ninguém para quem um pouco de fantasia não possa encontrar exatamente algo que o alegre por completo”.
Encontro de amigos e familiares, a brincadeira do amigo secreto terminou ganhando contornos inusitados. Em Olinda, conta a antropóloga Júlia Morim, seus amigos determinaram que os presentes deveriam ser objetos para serem usados nos dias de folia.
“Nada mais engraçado que inventar uma fantasia para quem se gosta”, diz Júlia, que no Carnaval passado exibia uma cabeleira amarela de sereia. Em outro ano, o mesmo grupo combinou que os presentes seriam “obras de arte” de invenção própria. Uma resposta ao consumismo desenfreado do período natalino e que pode fazer do ato de presentear algo ainda mais mágico.