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10/11/2009 - 15:20 (atualizada em 10/11/2009 15:28)

Uniban: MEC arquiva pedido de explicação sobre Geisy Arruda

Embora considere a expulsão "episódio superado", o MEC acompanhará o processo de reinserção dela no corpo de estudantes

Agência Estado
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O Ministério da Educação (MEC) decidiu nesta terça-feira (10) arquivar o pedido de explicações à Universidade Bandeirante (Uniban) sobre a expulsão da aluna de turismo Geisy Arruda. A jovem foi hostilizada e xingada por diversos alunos no dia 22, no câmpus de São Bernardo, por usar um vestido curto.

Embora o ministério considere a expulsão um "episódio superado", a assessoria de imprensa do órgão destacou que o MEC "acompanhará atentamente o processo de reinserção da aluna no corpo de estudantes da instituição".

A decisão do MEC foi tomada após a Uniban ter revogado, na segunda-feira (9), o desligamento de Geisy. O caso ganhou destaque na imprensa nacional e internacional. Organização não-governamentais (ONGs), movimentos sociais e sindicais criticaram a posição da universidade.

Na sexta-feira (6), depois de concluir uma sindicância interna, a Uniban decidiu expulsar Geisy "por entender que ela foi responsável, que provocou a situação com sua atitude". No domingo, um comunicado da instituição foi publicado em jornais da capital informando sobre a expulsão.

O texto afirmava que Geisy frequentava "as dependências da universidade em trajes inadequados e que indicam uma postura incompatível com o ambiente da universidade". A instituição alega que ela foi avisada "constantemente sobre a inconveniência de seus trajes".

UNE
A União Nacional dos Estudantes (UNE) divulgou nesta manhã uma nota comemorando a revogação da expulsão da aluna de Turismo da Uniban.

De acordo com a UNE, foi graças à pressão de estudantes, movimentos sociais e sindicais, intelectuais, professores, imprensa nacional e internacional que a Uniban voltou atrás na decisão e revogou a expulsão da estudante.

"Era a única decisão aceitável. Foi uma vitória de todos aqueles que se indignaram. Mas ainda é muito pouco diante do que aconteceu", comentou Augusto Chagas, presidente da UNE, que lamentou o fato de a universidade não ter dado qualquer justificativa aceitável tanto no momento da expulsão quanto na anulação da mesma.

"A entidade pretende continuar acompanhando o caso. Primeiro, para garantir a continuidade do debate sobre o machismo em nossa sociedade. Segundo, para que a universidade se desculpe publicamente sobre o ocorrido. É preciso cobrar das autoridades que sejam aplicadas as devidas punições e garantir que Geisy possa ter sua trajetória escolar garantida na Uniban ou em qualquer outra instituição", concluiu Chagas.

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