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06/11/2009 - 08:43 (atualizada em 06/11/2009 08:50)

Tratamento ideal contra drogas requer apoio familiar e vontade

Especialistas aprovam internação compulsória em casos extremos, mas afirmam que o ideal é o próprio paciente optar pela recuperação

Thatiane Faria
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Participação da família em tratamento é fundamental
Participação da família em tratamento é fundamental

Apesar da internação compulsória do dependente químico ser permitida em algumas clínicas de reabilitação, especialistas afirmam que o ideal é o desejo do paciente em se tratar e o apoio da família para ajudar a pessoa a deixar as drogas.

Antes de tudo, pode-se tentar prevenir o uso indevido dos narcóticos mantendo a sociedade bem informada sobre todos os pontos que envolvem o problema. Educação, qualidade e valorização da vida são fundamentais para tentar evitar que a pessoa se torne dependente, segundo o Instituto de Medicina Legal e Criminologia (Imesc) de São Paulo.

Há centros e associações com programas – contra drogas lícitas e ilícitas - que podem ser procurados por qualquer indivíduo interessado em conversar, tirar dúvidas e dividir o seu caso, mesmo que tenha tido contato com as drogas apenas uma vez. Confira alguns endereços no site do Imesc.

Internação
A diretora executiva da Associação Parceria Contra as Drogas, Marylin Tatton, explica que é possível fazer uma internação compulsória, isto é, sem o consentimento do paciente. Porém, é necessário que a clínica avise o Ministério Público em menos de 72 horas. Além disso, um juiz deve dizer que está ciente de que aquela pessoa está sendo tratada e não mantida em cárcere privado.

Marylin diz que concorda com esse tipo de internação em alguns casos, como o de dependentes de crack. “A pessoa acaba perdendo o amor próprio e a substância acaba sendo mais importante que qualquer outra coisa, inclusive sua própria vida.”

A psicóloga da Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes (Proad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Marília Castello Branco, concorda que quando há risco a vida do dependente e quando ele põe em risco a vida de outros, pode-se recorrer a essa última alternativa para prevenir algum tipo de tragédia. No entanto, as duas especialistas afirmam que o melhor seria se o paciente decidisse pelo tratamento e por largar as drogas.

A recomendação, em qualquer caso, é que se procure uma clínica legalizada onde a pessoa passe por uma avaliação médica. Permitir que a família participe do processo, que não é fácil, também é muito importante, explica Marília. Dentro do hospital, o dependente passará por uma desintoxicação com a ajuda de remédios e, mesmo após receber alta, precisa continuar o tratamento com terapia. “Não é um passe de mágica”, diz a psicóloga.

Terapia
A terapia é essencial e faz parte de todas as etapas de um tratamento contra as drogas. Mesmo durante e após uma internação, se for necessária. Marília conta que o dependente que procura o Proad pela segunda vez é encaminhado a um médico para dar continuidade ao melhor tipo de acompanhamento. A participação da família é obrigatória para adolescentes e recomendada para os adultos.

No programa, também há um grupo de acolhimento, onde orientadores e pessoas em geral criam um espaço que permite a reflexão e informação a todos os presentes. “A pessoa tem que ver onde se sente melhor”, afirma Marília sobre a escolha do tipo de terapia. Segundo ela, em alguns casos, só a sessão individual não é suficiente.

A psicóloga informa que a duração do tratamento depende muito de cada caso, mas, em geral, é necessário ficar dois anos sem usar nenhum tipo de droga para ser considerada livre da dependência.

Além da própria Proad, programa da Universidade Federal de São Paulo, ela indica a Univesidade de São Paulo (USP), o Alcoolicos Anônimos (AA) e até as igrejas para quem quiser procurar ajuda. Se o dependente não estiver disposto a iniciar um tratamento, a família pode comparecer às reuniões e aos centros para se informar qual é a melhor maneira de lidar com a situação.

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