Comoção nacional foi causada pela gravidade desses fatos
A morte da menina Isabella Nardoni, o seqüestro e o assassinato de Eloá Pimentel pelo ex-namorado e as enchentes que assolaram o estado de Santa Catarina deixaram os brasileiros chocados em 2008. Os três acontecimentos causaram uma forte comoção nacional e expuseram, mais uma vez, a solidariedade da população.
Em 29/3, Isabella, de 5 anos, morreu após ser jogada do sexto andar do edifício London, no bairro do Carandiru, Zona Norte de São Paulo, onde morava. O pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Ana Carolina Jatobá, foram acusados, mas nunca confessaram o crime. Pelo contrário, sustentam, desde o princípio a versão de que uma pessoa desconhecida teria matado Isabella.
Durante a investigação, peritos encontraram vestígios de sangue no carro e no apartamento de Alexandre. Vizinhos disseram ter ouvido uma briga pouco antes do fato. O Instituto de Criminalística concluiu que a garota foi asfixiada por três minutos dentro do apartamento, o que provocou uma parada respiratória. Por fim, a polícia confirmou que não havia uma terceira pessoa no local e a perícia constatou que a pegada encontrada no lençol, na cama próxima da janela de onde Isabella foi atirada, era de Alexandre. Atualmente, o pai e a madrasta estão presos na cidade de Tremembé, interior de São Paulo.
Em outubro, aconteceu o seqüestro de Eloá, de 15 anos, em Santo André, no ABC paulista. Enquanto fazia um trabalho com colegas de escola, no dia 13, a adolescente viu o ex-namorado Lindemberg Alves, de 22 anos, invadir seu apartamento com uma arma. O rapaz fez quatro reféns. No mesmo dia, soltou dois garotos. Eloá e a amiga Nayara Rodrigues foram mantidas encarceradas.
Em meio às negociações para religar a energia elétrica no local, Nayara foi solta. A menina dormiu em casa e, no dia seguinte, foi chamada para tentar convencer Lindemberg a soltar Eloá. Mas acabou voltando para o cativeiro.
Após 100 horas, o seqüestro acabou com a invasão da polícia. Lindemberg atirou nas duas adolescentes. Nayara foi atingida no rosto. Eloá levou dois tiros, um na cabeça e outro na virilha. Ela foi levada para o Hospital Municipal de Santo André e operada, mas não resistiu e teve a morte cerebral confirmada pelos médicos. A família da vítima decidiu doar todos os seus órgãos.
A solidariedade voltou a aparecer em novembro, quando Santa Catarina foi atingida por fortes chuvas, que deixaram mais de 135 mortos, 32.853 desalojados e desabrigados e cidades inteiras destruídas. Moradores de todos os cantos do país participaram de campanhas de arrecadação de donativos para as vítimas das enchentes.
Após visitar localidades afetadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva liberou cerca de R$ 2 bilhões para Santa Catarina. Agora, com as doações, que já passam de R$ 26 milhões, e as verbas governamentais, o estado tenta se reerguer.