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20/11/2008 - 10:16

Renda de negros deve se igualar à de brancos em 2029, indica Ipea

Entre 2001 e 2007, queda na diferença entre os rendimentos foi de 25%

Da Redação, com informações da Agência Brasil
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A desigualdade racial, medida pela razão de renda de brancos e negros, está caindo no Brasil, de acordo com o estudo “Desigualdades raciais, racismo e políticas públicas 120 anos após a abolição”, divulgada nesta quinta-feira (20) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os dados indicam que houve uma “sensível” melhora no padrão distributivo brasileiro quando comparadas as populações negra e branca e que a queda na diferença entre as rendas, entre 2001 e 2007, foi de 25%.

O levantamento mostra que, após oscilar durante 12 anos em torno de 2,4, o indicador da desigualdade racial começou a cair após 2001. Em 2007, a razão chegou a ser de 2,06. A população branca, de acordo com o Ipea, ainda vive no país com pouco mais que o dobro da renda disponível, em média, para a população negra. Mas a tendência recente é a diminuição dessa diferença.

Entretanto, ao considerar que o valor ideal para esse indicador seja igual a 1, ainda faltam 3/4 da diferença a serem reduzidos. Assim, se o ritmo continuar o mesmo, haverá igualdade na renda domiciliar de brancos e negros apenas em 2029.

“A pergunta natural é se a redução da desigualdade racial é mera conseqüência da redução da desigualdade geral de renda. É possível que a redução não seja conseqüência da redução nas práticas discriminatórias e, sim, do fato de negros serem maioria entre os beneficiários do Programa Bolsa Família, dos benefícios previdenciários indexados ao salário mínimo e do Benefício de Prestação Continuada, bem como de outros mecanismos de redução da desigualdade geral”, diz o Ipea.

A publicação destaca que não se deve subestimar a importância da redução da desigualdade racial para a vida de indivíduos negros no país. Por serem maioria da população na fatia inferior da distribuição de renda, a conclusão do Ipea é que qualquer política leva a melhorias absolutas ou relativas para os 50% mais pobres.

O instituto ainda enfatiza que, apesar dos avanços registrados, não houve alteração no quadro de oportunidades no mercado de trabalho – principal fonte de renda e de mobilidade social ascendente. De acordo com o estudo, a situação da população negra no Brasil continua bastante vulnerável e a dependência de ações do governo mostra a inexistência de mecanismos sociais, institucionais e legais que alterem o cenário de desigualdade.

 
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