O vazamento de informações sigilosas sobre a Operação Satiagraha está na mira da Polícia Federal.
Segundo o delegado Amaro Vieira Ferreira, responsável por investigar a denúncia, seu dever agora é descobrir a fonte da polícia que avisou a TV Globo sobre a operação. A emissora ficou sabendo antes que ela seria deflagrada no dia 8 de julho.
Em declaração à edição de hoje da “Folha de S. Paulo”, Ferreira afirma que o sigilo da fonte é uma questão exclusiva do jornalista. “Posso chamar o jornalista e perguntar quem o avisou. Ele pode se manter em silêncio. E eu, como policial, posso buscar outros caminhos para descobrir quem vazou”, afirma.
A PF conseguiu, sem ordem judicial, a quebra do sigilo telefônico de aparelhos Nextel usados no dia em que a operação começou. Os pedidos de investigação de ligações telefônicas se concentram em quatro lugares onde havia equipes da TV Globo na madrugada da operação.
Naquela noite, foram presos o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta e o investidor Naji Nahas, entre outras 14 pessoas investigadas por crime financeiro.
A PF nega ainda que tenha quebrado o sigilo telefônico de jornalistas que acompanharam a Operação Satiagraha.
Em nota, o órgão diz que “não investiga jornalistas no referido inquérito policial, pois respeita a norma constitucional que garante o sigilo de fonte desses profissionais. A investigação visa à apuração de vazamento de dados sigilosos da Satiagraha.”
Por outro lado, a polícia não explica o motivo que a levou a pedir dados de antenas telefônicas – o que permite localiza fisicamente o usuário do aparelho – apenas nas áreas onde havia jornalistas, como a porta da casa do ex-prefeito Celso Pitta.